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Em uma decisão que gerou intensa controvérsia, a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou na segunda-feira (8) que agentes de imigração do governo Trump realizem deportações com base em caracterÃsticas como sotaque ao falar inglês, etnia e ocupação profissional durante operações no sul da Califórnia. A determinação suspende uma ordem judicial anterior que impedia essas práticas por violarem direitos constitucionais.
Por 6 votos a 3, a maioria conservadora do tribunal concedeu ao Departamento de Justiça o direito de suspender limitações impostas por uma juÃza federal que considerava as táticas de imigração "provavelmente inconstitucionais". A decisão permite que as chamadas "patrulhas itinerantes" (roving patrols) continuem enquanto o caso segue em disputa judicial.
Os três juÃzes progressistas da Corte dissentiram veementemente. A juÃza Sonia Sotomayor, a primeira latina a integrar o tribunal, afirmou em seu voto divergente: "Não deverÃamos ter que viver em um paÃs onde o governo pode prender qualquer um que pareça latino, fale espanhol e pareça ter um emprego mal remunerado".
O governo Trump comemorou a decisão. A procuradora-geral Pam Bondi, nomeada por Trump, classificou o veredicto como uma "vitória massiva" e declarou que os agentes de imigração agora podem "continuar realizando patrulhas itinerantes na Califórnia sem micromanagement judicial".
De acordo com a decisão, os agentes de imigração podem considerar os seguintes fatores para realizar abordagens e detenções:
Embora a decisão afirme que "a etnia aparente sozinha não pode fornecer suspeita razoável", o juiz conservador Brett Kavanaugh escreveu em concordância que este pode ser um "fator relevante quando considerado junto com outros fatores salientes".
A decisão provocou fortes reações de autoridades da Califórnia, estado governado por democratas:
As operações de imigração na Califórnia começaram em junho, caracterizadas por:
Um dos demandantes, Jason Gavidia, relatou que os agentes "o agrediram após não acreditarem em sua declaração de que era cidadão americano, exigindo saber o nome do hospital onde nasceu".
Especialistas legais alertam que a decisão pode ter consequências de longo alcance:
O caso representa mais uma vitória para a administração Trump na Suprema Corte, que já decidiu a favor do governo em pelo menos 17 casos consecutivos relacionados à imigração apenas neste ano.
Com informações de Reuters, BBC, Valor Econômico, CNN Brasil, CalMatters, Folha de S.Paulo, G1, The Guardian e Australian Broadcasting Corporation. ■