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O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) aprovou por unanimidade a abertura de uma investigação para apurar investimentos de R$ 218 milhões realizados pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) no Banco Master em 2023. O relator do caso, conselheiro Rodrigo Nascimento, afirmou em seu voto que há "fortes indícios da prática de graves irregularidades" nas aplicações financeiras da empresa pública no banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
A investigação foi aberta nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, com base em uma denúncia formulada pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSD). Em sua decisão, o conselheiro relator divergiu da sugestão inicial do corpo técnico do tribunal, optando por um rito mais rigoroso e determinando a notificação dos responsáveis na Cedae para apresentação de defesa e documentos que justifiquem as operações.
A Cedae informou, em nota, que vai prestar todos os esclarecimentos solicitados pelo TCE-RJ e defendeu que as aplicações seguiram rigorosamente as normas de compliance e governança.
O conselheiro Rodrigo Nascimento cobrou explicações da diretoria da Cedae sobre a ausência de acompanhamento das aplicações realizadas no Banco Master. A investigação ocorre em um momento em que o banco já apresentava sérios problemas. O deputado Luiz Paulo, autor da denúncia, destacou que "quando a Cedae o fez [o investimento], o Banco Master já era classificado como um banco de terceira linha, com problemas muito grandes".
O caso Cedae amplia o rastro de suspeitas sobre a captação de recursos públicos pelo conglomerado de Daniel Vorcaro. O principal caso paralelo envolve o Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores estaduais do Rio.
Segundo a Polícia Federal, essas operações "expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade", que é o pagamento de aposentadorias e pensões. A Cedae conseguiu resgatar ao menos R$ 40 milhões de seus investimentos antes da liquidação do banco.
Com a abertura formal da investigação, os responsáveis na Cedae notificados deverão apresentar suas defesas e a documentação pertinente ao TCE-RJ. O desfecho do caso pode ter repercussões políticas, uma vez que os investimentos sob suspeita ocorreram durante o governo de Cláudio Castro.
O conselheiro relator deixou claro que a análise de mérito depende das diligências complementares e das explicações que serão prestadas. O Tribunal de Contas buscará apurar se houve, de fato, uma falha de governança e exposição indevida do patrimônio público a uma instituição financeira já fragilizada.
Com informações de: cbn.globo.com, diariocarioca.com, infomoney.com.br, pt.wikipedia.org, temporealrj.com■