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Volume histórico de chuvas em fevereiro provoca tragédias no Sudeste
Além da Zona da Mata mineira, temporais atingem Rio de Janeiro e São Paulo com mortes, deslizamentos e alagamentos
Cidades
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■   Bernardo Cahue, 25/02/2026

O mês de fevereiro de 2026 entra para a história como um dos mais chuvosos já registrados no Sudeste brasileiro. Os temporais que começaram em Minas Gerais se expandiram para o Rio de Janeiro e São Paulo, causando um rastro de destruição. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), um alerta de "Grande Perigo" foi emitido para toda a região, com volumes de chuva superiores a 100 mm por dia em diversas localidades. A combinação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) com um fenômeno conhecido como "cavado" — região alongada de baixa pressão que favorece a formação de tempestades — é a principal causa dos acumulados extremos.

No estado de São Paulo, o litoral norte foi a região mais castigada. Em Peruíbe, foram registrados 176 mm em apenas seis horas, volume equivalente a 90% da média esperada para todo o mês. A Defesa Civil mobilizou um gabinete de crise e pelo menos 100 pessoas ficaram desabrigadas no município. Em Ubatuba, a situação também é crítica: a prefeitura decretou situação de emergência após duas mortes registradas — uma embarcação de pesca naufragou durante a tempestade na noite de sábado (21). Rodovias importantes como a Mogi-Bertioga e a Oswaldo Cruz precisaram ser interditadas devido à queda de barreiras. O Cemaden aponta risco alto de movimentos de massa nas regiões geográficas intermediárias de São José dos Campos e São Paulo, especialmente nos municípios litorâneos, devido aos acumulados superiores a 200 mm em 48 horas.

No Rio de Janeiro, os impactos se concentram na Costa Verde, Região Serrana, Baixada Fluminense e na capital. Em Paraty e Angra dos Reis, os acumulados ultrapassaram os 200 mm em 48 horas, com risco iminente de deslizamentos. Petrópolis, cidade serrana com histórico de tragédias, voltou a registrar deslizamentos pontuais e pontos de alagamento. Na Baixada Fluminense, municípios como São João de Meriti registraram 100 mm de chuva em apenas uma hora, resultando em uma morte. O Inmet mantém alerta para todo o estado, com ênfase no Sul Fluminense, Região Metropolitana e Norte Fluminense, onde a previsão indica continuidade das pancadas fortes até o fim da semana.

Impactos totais nos três estados:

  • Minas Gerais: 28 mortes confirmadas (21 em Juiz de Fora e 7 em Ubá), 40 desaparecidos, 74 casas destruídas e cerca de 700 desabrigados. Juiz de Fora registrou 584 mm em fevereiro, o mês mais chuvoso da história, com o rio Paraibuna saindo da calha.
  • Rio de Janeiro: pelo menos 1 morte em São João de Meriti, centenas de desalojados em Paraty e Angra, rodovias interditadas e risco alto de novos deslizamentos.
  • São Paulo: 3 mortes (2 em Ubatuba e 1 em Natividade da Serra), 100 desabrigados em Peruíbe, decretos de emergência em Ubatuba e Caraguatatuba, estradas estaduais bloqueadas.

O governo federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), reconheceu estado de calamidade pública em Juiz de Fora e situação de emergência em outras cidades mineiras, liberando recursos para assistência humanitária. O presidente Lula determinou a mobilização imediata de equipes do serviço público de saúde para atender a população afetada.

Fenômenos climáticos envolvidos:

  1. Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS): corredor de umidade vindo da Amazônia que provoca chuvas persistentes por vários dias.
  2. Cavado: área alongada de baixa pressão em níveis médios da atmosfera que intensifica a formação de nuvens carregadas e tempestades.
  3. Aquecimento global: especialistas apontam que eventos extremos como este estão se tornando mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas.

As defesas civis estaduais orientam a população a permanecer em locais seguros, evitar áreas alagadas e, em caso de emergência, acionar o Corpo de Bombeiros (193) ou a Defesa Civil (199). A previsão para os próximos dias indica continuidade das chuvas em todo o Sudeste, com possibilidade de novos transtornos.

Com informações de Agência Brasil, G1, O Globo, Cemaden, ClimaInfo, ISTOÉ, Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) ■

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