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Médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde do município do Rio de Janeiro estão em greve desde a última segunda-feira (02/02), em uma paralisação que deve se estender até o dia 11 de fevereiro. A mobilização, organizada pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ) e pelo Sindicato dos Enfermeiros (Sindenf-RJ), afeta mais de 200 Clínicas da Família, unidades que são a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) para a maior parte da população carioca.
O movimento grevista surge como resposta a uma série de problemas crônicos:
Impacto no atendimento à população
Durante a paralisação, as Clínicas da Família funcionam de forma parcial. Os médicos mantêm 50% do efetivo em atividade, enquanto os enfermeiros mantêm 70%. Estão sendo garantidos apenas os atendimentos considerados prioritários:
Consultas eletivas, atividades coletivas, visitas domiciliares e procedimentos não urgentes estão suspensos. A greve ocorre no período que antecede o Carnaval, quando tradicionalmente há um aumento na demanda por serviços de saúde.
Negociações e posição do poder público
No primeiro dia da greve, uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) estabeleceu um acordo provisório. Ficou acordado que:
O TRT reafirmou que a greve é um direito constitucional, mesmo em serviços essenciais, e que os trabalhadores não podem ser punidos por exercê-lo. A Prefeitura do Rio, por sua vez, alega restrições orçamentárias e atribui às Organizações Sociais a responsabilidade direta pela negociação salarial. A Secretaria Municipal de Saúde emitiu nota criticando a paralisação, afirmando que prejudica a população e que adotará "medidas judiciais cabíveis".
Próximos passos e cenário de crise
Os sindicatos denunciam que profissionais estão sofrendo ameaças e assédio desde o anúncio da greve. Uma nova assembleia da categoria médica está marcada para 11 de fevereiro, data prevista para o fim da paralisação, para avaliar as respostas do poder público e decidir os rumos do movimento. A greve evidencia uma crise profunda na Atenção Primária do Rio, com profissionais exaustos, população com acesso reduzido e um impasse nas negociações que depende de uma solução estrutural e não apenas paliativa.
Com informações de: A Nova Democracia, PCB.org.br, Diário do Rio, EPSJV/Fiocruz, Opinião Socialista, Tempo Real RJ, TV Prefeito, A3 Notícias ■