Protestos em mais de 20 estados neste domingo (7) exigem justiça e políticas públicas efetivas contra a violência de gênero, que já vitimou mais de mil mulheres em 2025
Um grito coletivo por justiça ecoou pelas ruas do Brasil neste domingo (7 de dezembro). Impulsionadas por uma sequência de crimes brutais e por dados alarmantes, milhares de pessoas foram às ruas no Levante Mulheres Vivas, uma mobilização nacional que ocorreu em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal para protestar contra o feminicídio e todas as formas de violência de gênero[citation:1][citation:3][citation:4]. Os atos, convocados por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas, carregam o lema "Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas" e buscam romper o silêncio e cobrar do Estado ações concretas de proteção[citation:4][citation:7].
Um Retrato da Violência: Os Números que Alarmam o País
Os protestos são a resposta a uma estatística assustadora e crescente. Dados consolidados mostram que o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios em 2025, com uma média de quase 3 mil atendimentos diários realizados pela Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180[citation:3][citation:4]. No primeiro semestre do ano, foram contabilizados 718 feminicídios, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero[citation:5].
Especialistas apontam para uma piora no cenário:
- Em 2024, foram registrados 1.459 feminicídios, o maior número da série histórica desde 2020[citation:4][citation:6].
- As tentativas de feminicídio aumentaram 26% em 2024 na comparação com o ano anterior[citation:8].
- Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado revela um aumento de 45% nos feminicídios cometidos com arma de fogo no primeiro semestre de 2025, na comparação com igual período de 2024[citation:10].
- Dados regionais reforçam a crise: a cidade de São Paulo já registrou 53 feminicídios em 2025, superando o recorde de todo o ano de 2024, que foi de 51 casos[citation:6][citation:9]. No Distrito Federal, foram 26 mortes apenas neste ano[citation:1].
Casos que Chocaram o País e Acenderam o Alerta
A mobilização foi impulsionada por uma onda recente de crimes de extrema crueldade, que exemplificam a gravidade da epidemia de violência misógina[citation:7][citation:8]. Entre os casos que ganharam repercussão nacional e ilustram diferentes facetas da tragédia estão:
- Brasília (DF): A cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, foi encontrada morta, carbonizada, dentro do quartel na sexta-feira (5). Um soldado confessou o assassinato, investigado como feminicídio[citation:1][citation:3][citation:4].
- São Paulo (SP): Tainara Souza Santos, de 31 anos, teve as duas pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por seu ex-namorado, no dia 29 de novembro[citation:4][citation:6][citation:8].
- Rio de Janeiro (RJ): Duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ) foram mortas a tiros, no dia 28 de novembro, por um colega de trabalho que, segundo relatos, não aceitava ser chefiado por mulheres[citation:3][citation:4][citation:7].
- São Paulo (SP): Uma mulher de 38 anos foi baleada com duas armas pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma pastelaria, no dia 1º de dezembro[citation:6][citation:8].
- Recife (PE): Uma mulher de 40 anos e seus quatro filhos, com idades entre 1 e 7 anos, morreram carbonizados após o companheiro dela atear fogo na casa, no dia 29 de novembro[citation:6][citation:8].
Manifestações em Todo o Território: O Mapa da Indignação
Diante dessa realidade, a sociedade civil se organizou para ocupar os espaços públicos. O Levante Mulheres Vivas coordenou atos simultâneos em diversas capitais e cidades brasileiras[citation:7]. Confira alguns dos locais e horários das principais manifestações deste domingo:
- São Paulo (SP): 14h, no vão do MASP, na Avenida Paulista[citation:4][citation:7].
- Rio de Janeiro (RJ): 12h, no Posto 5 da Praia de Copacabana[citation:4][citation:7].
- Brasília (DF): 10h, na Feira da Torre de TV[citation:1][citation:4].
- Belo Horizonte (MG): 11h, na Praça Raul Soares[citation:4][citation:7].
- Curitiba (PR): 10h, na Praça João Cândido (Largo da Ordem)[citation:4][citation:7].
- Salvador (BA): 10h, na Barra (do Cristo ao Farol)[citation:7].
- Manaus (AM): 17h, no Largo São Sebastião[citation:4][citation:7].
- Porto Alegre (RS): 17h, na Praça da Matriz[citation:7].
Em São Paulo, o ato reuniu famílias inteiras e foi marcado por discursos emocionados. Priscila Magrin, mãe de Nicolly, uma jovem de 15 anos vítima de feminicídio, discursou para a multidão: "Se ela não estivesse morta, estaria aqui com a gente, lutando"[citation:9].
Caminhos para o Enfrentamento e Rede de Apoio
Além de denunciar, os protestos cobram políticas públicas eficazes. Especialistas afirmam que é preciso ir além da punição e garantir acolhimento integral às vítimas, incluindo suporte psicológico, assistência social e programas de geração de renda[citation:8]. A educação das novas gerações para o respeito e a igualdade de gênero desde a primeira infância também é apontada como fundamental para uma mudança cultural duradoura[citation:8].
Em meio à crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou dos homens uma resposta para mudar a cultura de violência de gênero e defendeu a criação de um grande movimento nacional contra esse tipo de crime[citation:3][citation:4]. Paralelamente, organizações reforçam a importância de criminalizar a misoginia como um delito específico, entendendo que o ódio contra as mulheres é a raiz que sustenta as violências físicas[citation:7].
Para mulheres em situação de violência ou testemunhas, é fundamental conhecer os canais de denúncia e apoio:
- Disque 180: Central de Atendimento à Mulher[citation:1][citation:6].
- Disque 190: Polícia Militar, para emergências[citation:1].
- Disque 197: Polícia Civil, ou delegacia eletrônica[citation:1].
- Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam) ou qualquer delegacia de polícia[citation:1].
- Medidas Protetivas de Urgência: Podem ser solicitadas em delegacias mesmo sem que um crime consumado tenha ocorrido. Situações de ciúme excessivo, perseguição ou controle financeiro já são motivos para o pedido[citation:1].
Com informações de G1 - Globo, Agência Brasil, Brasil de Fato, UOL, Folha de S.Paulo, Senado Federal e Ministério das Mulheres - Portal Gov.br ■