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Manifestações nacionais denunciam epidemia de feminicídio no país
Protestos em mais de 20 estados neste domingo (7) exigem justiça e políticas públicas efetivas contra a violência de gênero, que já vitimou mais de mil mulheres em 2025
Cidades
Foto: https://www.cartacapital.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Fem-Levante-Feminista.jpg
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■   Bernardo Cahue, 07/12/2025

Um grito coletivo por justiça ecoou pelas ruas do Brasil neste domingo (7 de dezembro). Impulsionadas por uma sequência de crimes brutais e por dados alarmantes, milhares de pessoas foram às ruas no Levante Mulheres Vivas, uma mobilização nacional que ocorreu em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal para protestar contra o feminicídio e todas as formas de violência de gênero[citation:1][citation:3][citation:4]. Os atos, convocados por coletivos, movimentos sociais e organizações feministas, carregam o lema "Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas" e buscam romper o silêncio e cobrar do Estado ações concretas de proteção[citation:4][citation:7].

Um Retrato da Violência: Os Números que Alarmam o País

Os protestos são a resposta a uma estatística assustadora e crescente. Dados consolidados mostram que o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios em 2025, com uma média de quase 3 mil atendimentos diários realizados pela Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180[citation:3][citation:4]. No primeiro semestre do ano, foram contabilizados 718 feminicídios, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero[citation:5].

Especialistas apontam para uma piora no cenário:

  • Em 2024, foram registrados 1.459 feminicídios, o maior número da série histórica desde 2020[citation:4][citation:6].
  • As tentativas de feminicídio aumentaram 26% em 2024 na comparação com o ano anterior[citation:8].
  • Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado revela um aumento de 45% nos feminicídios cometidos com arma de fogo no primeiro semestre de 2025, na comparação com igual período de 2024[citation:10].
  • Dados regionais reforçam a crise: a cidade de São Paulo já registrou 53 feminicídios em 2025, superando o recorde de todo o ano de 2024, que foi de 51 casos[citation:6][citation:9]. No Distrito Federal, foram 26 mortes apenas neste ano[citation:1].

Casos que Chocaram o País e Acenderam o Alerta

A mobilização foi impulsionada por uma onda recente de crimes de extrema crueldade, que exemplificam a gravidade da epidemia de violência misógina[citation:7][citation:8]. Entre os casos que ganharam repercussão nacional e ilustram diferentes facetas da tragédia estão:

  • Brasília (DF): A cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, foi encontrada morta, carbonizada, dentro do quartel na sexta-feira (5). Um soldado confessou o assassinato, investigado como feminicídio[citation:1][citation:3][citation:4].
  • São Paulo (SP): Tainara Souza Santos, de 31 anos, teve as duas pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por seu ex-namorado, no dia 29 de novembro[citation:4][citation:6][citation:8].
  • Rio de Janeiro (RJ): Duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ) foram mortas a tiros, no dia 28 de novembro, por um colega de trabalho que, segundo relatos, não aceitava ser chefiado por mulheres[citation:3][citation:4][citation:7].
  • São Paulo (SP): Uma mulher de 38 anos foi baleada com duas armas pelo ex-companheiro enquanto trabalhava em uma pastelaria, no dia 1º de dezembro[citation:6][citation:8].
  • Recife (PE): Uma mulher de 40 anos e seus quatro filhos, com idades entre 1 e 7 anos, morreram carbonizados após o companheiro dela atear fogo na casa, no dia 29 de novembro[citation:6][citation:8].

Manifestações em Todo o Território: O Mapa da Indignação

Diante dessa realidade, a sociedade civil se organizou para ocupar os espaços públicos. O Levante Mulheres Vivas coordenou atos simultâneos em diversas capitais e cidades brasileiras[citation:7]. Confira alguns dos locais e horários das principais manifestações deste domingo:

  • São Paulo (SP): 14h, no vão do MASP, na Avenida Paulista[citation:4][citation:7].
  • Rio de Janeiro (RJ): 12h, no Posto 5 da Praia de Copacabana[citation:4][citation:7].
  • Brasília (DF): 10h, na Feira da Torre de TV[citation:1][citation:4].
  • Belo Horizonte (MG): 11h, na Praça Raul Soares[citation:4][citation:7].
  • Curitiba (PR): 10h, na Praça João Cândido (Largo da Ordem)[citation:4][citation:7].
  • Salvador (BA): 10h, na Barra (do Cristo ao Farol)[citation:7].
  • Manaus (AM): 17h, no Largo São Sebastião[citation:4][citation:7].
  • Porto Alegre (RS): 17h, na Praça da Matriz[citation:7].

Em São Paulo, o ato reuniu famílias inteiras e foi marcado por discursos emocionados. Priscila Magrin, mãe de Nicolly, uma jovem de 15 anos vítima de feminicídio, discursou para a multidão: "Se ela não estivesse morta, estaria aqui com a gente, lutando"[citation:9].

Caminhos para o Enfrentamento e Rede de Apoio

Além de denunciar, os protestos cobram políticas públicas eficazes. Especialistas afirmam que é preciso ir além da punição e garantir acolhimento integral às vítimas, incluindo suporte psicológico, assistência social e programas de geração de renda[citation:8]. A educação das novas gerações para o respeito e a igualdade de gênero desde a primeira infância também é apontada como fundamental para uma mudança cultural duradoura[citation:8].

Em meio à crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou dos homens uma resposta para mudar a cultura de violência de gênero e defendeu a criação de um grande movimento nacional contra esse tipo de crime[citation:3][citation:4]. Paralelamente, organizações reforçam a importância de criminalizar a misoginia como um delito específico, entendendo que o ódio contra as mulheres é a raiz que sustenta as violências físicas[citation:7].

Para mulheres em situação de violência ou testemunhas, é fundamental conhecer os canais de denúncia e apoio:

  • Disque 180: Central de Atendimento à Mulher[citation:1][citation:6].
  • Disque 190: Polícia Militar, para emergências[citation:1].
  • Disque 197: Polícia Civil, ou delegacia eletrônica[citation:1].
  • Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam) ou qualquer delegacia de polícia[citation:1].
  • Medidas Protetivas de Urgência: Podem ser solicitadas em delegacias mesmo sem que um crime consumado tenha ocorrido. Situações de ciúme excessivo, perseguição ou controle financeiro já são motivos para o pedido[citation:1].

Com informações de G1 - Globo, Agência Brasil, Brasil de Fato, UOL, Folha de S.Paulo, Senado Federal e Ministério das Mulheres - Portal Gov.br ■

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