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Uma investigação aprofundada da CNN encontrou evidências de que a polícia da Tanzânia usou fogo real e letal contra manifestantes desarmados durante os protestos que seguiram a disputada eleição presidencial de 29 de outubro. A apuração, que incluiu análise forense de vídeos, geolocalização e imagens de satélite, também encontrou indícios de valas comuns, sugerindo um esforço das autoridades para ocultar o número real de mortos.
Os protestos eclodiram após uma eleição em que a presidente interina, Samia Suluhu Hassan, foi declarada vencedora com cerca de 98% dos votos, em um pleito onde seus principais rivais da oposição foram barrados de concorrer. A oposição e observadores internacionais denunciaram que o processo eleitoral "ficou aquém" dos requisitos democráticos.
A investigação verificou vídeos que mostram dois episódios fatais na cidade de Arusha no dia da eleição:
Vídeos de outras regiões, como a área de Segerea, em Dar es Salaam, mostram homens armados à paisana, supostamente policiais, descendo de picapes brancas e abrindo fogo repetidamente em áreas civis, enquanto manifestantes fugiam para se abrigar.
Opositores e grupos de direitos humanos acusam a polícia de desaparecer com centenas de corpos para esconder a verdadeira dimensão da repressão [citation:1]. Vídeos geolocalizados pela CNN em hospitais de Dar es Salaam e Mwanza mostram dezenas de corpos amontoados no chão de morgues e empilhados em macas, com um médico descrevendo que as vítimas, em sua maioria jovens, tinham ferimentos de bala na cabeça, tórax e abdômen.
Além disso, imagens de satélite do Cemitério Kondo, ao norte de Dar es Salaam, mostram solo recentemente revolvido em um terreno baldio entre os dias 2 e 5 de novembro, consistente com relatos de grupos de direitos humanos sobre a existência de valas comuns no local. Um vídeo obtido no local mostra a terra recém-virada entre a vegetação.
O número exato de mortos permanece incerto, com diferentes fontes apresentando estimativas:
A comunidade internacional reagiu com forte preocupação. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, instou as autoridades a investigarem de forma completa e transparente os assassinatos e violações, e pediu a libertação de todas as figuras da oposição detidas arbitrariamente, incluindo o líder do Chadema, Tundu Lissu. A União Africana e os governos do Canadá, Noruega e Reino Unido também emitiram declarações conjuntas expressando alarme com os relatos de um grande número de fatalidades.
O ambiente que antecedeu as eleições já era marcado por tensão. O principal partido de oposição, Chadema, foi impedido de participar das eleições, e seu líder, Tundu Lissu, está detido desde abril, acusado de traição. Durante os protestos, o governo impôs um toque de recolher e um blecaute da internet, o que dificultou a verificação independente de informações e a confirmação do número real de vítimas.
A presidente Hassan, que foi empossada para um segundo mandato, anunciou a criação de uma comissão para investigar a agitação, mas também sugeriu que os manifestantes estavam sendo pagos para protestar.
Com informações de: CNN, Al Jazeera, UN News, DW, Euronews ■