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Seguro da Nova Zelândia facilitou comércio de petróleo sancionado de Irã e Rússia
Investigação revela como intermediário de seguros atuou como peca chave em rede global para burlar restrições internacionais, levantando preocupações sobre a eficácia das sanções
Oceania
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■   Bernardo Cahue, 28/10/2025

Uma investigação da Reuters revelou que uma corretora de seguros sediada na Nova Zelândia, a Rosier Insurance, atuou como um facilitador crucial para a continuidade do fluxo de petróleo iraniano e russo, desafiando os regimes internacionais de sanções. A empresa, com sede em Auckland, teria organizado seguros maritimos para dezenas de petroleiros vinculados ao comercio de petróleo sancionado, permitindo que essas embarcações operassem globalmente apesar das restrições impostas pelos Estados Unidos, União Europeia e outras jurisdições ocidentais.

Embora nenhuma ação ilegal tenha sido formalmente imputada a Rosier Insurance pelas autoridades, as descobertas levantam sérias preocupações jurídicas e regulatórias. Os seguros marítimos são um componente vital do comercio global de petróleo, e a participação da empresa nessas transacoes posiciona a Nova Zelândia como um possível ponto cego na aplicação das sanções, com riscos de exposição extraterritorial as rigorosas regulações de órgãos como o OFAC, dos EUA.

A Estratégia Iraniana: Redes Complexas e "Frotas Fantasmas"

As ações da Rosier Insurance ganham relevância no contexto de uma ofensiva econômica mais ampla contra o petróleo iraniano. Recentemente, os Estados Unidos anunciaram uma ampla ação de sanções visando uma vasta rede internacional de navegação, acusada de facilitar a movimentação de dezenas de bilhões de dólares em receitas petrolíferas para o Ira. Essa rede, descrita como um "império de navegação" controlado pela família Shamkhani, opera sob uma complexa estrutura com ramificações em cerca de 20 países, utilizando uma frota de petroleiros, empresas de fachada e tecnicas sofisticadas para lavar dinheiro e ocultar a origem da carga.

O cerne da estratégia americana e, explicitamente, sufocar as fontes de financiamento do governo iraniano, limitando sua capacidade de investir em programas de armamentos e no polêmico programa de enriquecimento nuclear. Autoridades do Tesouro dos EUA declararam que as sanções visam "as fontes de receita de Teerã" para "intensificar a pressão econômica" e interromper o acesso do regime a recursos.

O caso russo: adaptação e resistencia sob sanções

Paralelamente, a Rússia, também alvo de um extenso pacote de sanções ocidentais devido a guerra na Ucrânia, demonstrou uma notável capacidade de adaptação. O pais encontrou formas de contornar restrições, incluindo o comercio através de uma "frota sombra" de petroleiros e o aumento das exportações para a China e a Índia. Embora a economia russa mostre sinais de abrandamento, com inflação elevada e expectativas de recessão, os especialistas apontam que o financiamento da guerra não parece enfrentar obstáculos imediatos significativos.

Um relatório do Centro de Analise e Estratégias na Europa (CASE) prevê um período prolongado de estagnação para a Rússia, mas destaca que a dependência do orçamento federal das receitas do petróleo e gás diminuiu drasticamente, caindo para apenas 25% em meados de 2025. Isso, combinado com a capacidade de contrair empréstimos no mercado interno e a existência de um fundo soberano, sugere que Moscou tem recursos para sustentar seus esforços bélicos por um período considerável.

Implicações legais e o futuro da aplicação de sanções

O caso da Rosier Insurance destaca vulnerabilidades criticas no sistema financeiro global. As principais questões legais levantadas incluem:

  • Potencial Descumprimento de Regulações de Sanções: Se os arranjos de seguro apoiaram conscientemente embarques de petróleo sancionado, eles podem violar regulações do OFAC (EUA) e do Conselho da UE.
  • Uso de Empresas de Fachada: A rede envolvia o uso de entidades opacas em jurisdições offshore e bandeiras de conveniência, características de esquemas de evasão de sanções.
  • Risco de Jurisdição Extraterritorial: A exposição legal da corretora não se limita a Nova Zelândia, podendo ser alvo de ações de reguladores americanos ou europeus.

Este caso deve aumentar o escrutínio sobre o setor de seguros marítimos, pressionando autoridades reguladoras em todo o mundo a apertarem os requisitos de diligência dupla e transparência, fechando essa brecha que permite a circulação de petróleo sancionado.

Com informações de: CNN Brasil, DW, Euronews, Lawfuel, Monitor do Oriente, Sancal Produções, Valor Econômico. ■

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