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Uma onda de protestos liderados por jovens da Geração Z tem sacudido o Marrocos, resultando em três mortos, mais de 300 feridos e centenas de presos, segundo balanço divulgado pelo governo. Os manifestantes contestam os vultosos gastos do paÃs para co-sediar a Copa do Mundo de 2030, junto com Espanha e Portugal, e exigem maiores investimentos em áreas sociais.
As manifestações, que começaram no último sábado, intensificaram-se na noite de quarta-feira (1º de outubro), tornando-se os distúrbios mais violentos desde o inÃcio do movimento. Confrontos entre jovens e forças de segurança foram registrados em diversas cidades, incluindo a capital Rabat, Salé, Tânger e Marrakech, com relatos de saques, veÃculos e edifÃcios incendiados.
O incidente mais grave ocorreu em Lqliaa, cerca de 470 km a sudeste de Rabat, onde duas pessoas morreram após policiais dispararam contra manifestantes que, segundo as autoridades, tentavam roubar seus armamentos. O primeiro-ministro marroquino, Aziz Akhannouch, confirmou posteriormente que o número de mortos subiu para três.
Os protestos foram organizados principalmente online por um grupo juvenil anônimo autodenominado "GenZ 212", uma referência à Geração Z e ao código telefônico internacional do Marrocos (+212). Eles utilizaram plataformas como TikTok, Instagram e Discord para mobilizar apoiadores. O servidor do grupo no Discord cresceu de aproximadamente 3 mil membros para mais de 130 mil em poucos dias, refletindo a rápida adesão ao movimento.
O estopim imediato para a recente onda de protestos foi a morte de oito mulheres grávidas em um hospital em Agadir, supostamente devido à má qualidade da anestesia durante cesarianas. A tragédia hospitalar contrastou com a inauguração de um estádio renovado em Rabat, parte de um pacote de obras orçado em mais de 4 bilhões de euros para a Copa do Mundo de 2030.
Nas ruas, os slogans cantados pelos manifestantes sintetizam o cerne de sua insatisfação: "os estádios estão aqui, mas onde estão os hospitais?" e "o povo quer um fim para a corrupção". Os jovens não rejeitam totalmente a realização do torneio, mas exigem que os investimentos públicos sejam distribuÃdos de forma mais justa [citation:7].
Os protestos contra os gastos com a Copa expõem problemas estruturais mais profundos na economia e sociedade marroquinas:
O Ministério do Interior marroquino afirmou que respeita o direito de protesto dentro dos limites legais e se comprometeu a agir com "contenção e autocontrole". O primeiro-ministro Aziz Akhannouch elogiou a atuação policial e declarou que "o diálogo é a única maneira de resolver os problemas".
Enquanto isso, o grupo "GenZ 212" divulgou comunicados nas redes sociais rejeitando a violência e reafirmando seu compromisso com protestos pacÃficos. O grupo deixou claro que seu descontentamento é com o governo, e não com as forças de segurança individualmente.
Com informações de: G1, CNN Brasil, DN - Diário de NotÃcias, Agência Brasil, Público, R7, Euronews. ■