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Protestos em Marrocos contra gastos com a Copa de 2030 deixam 3 mortos e 350 feridos
Manifestantes exigem mais investimentos em saúde e educação e questionam os altos custos para sediar o Mundial
Africa
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/800/cpsprodpb/56aa/live/c7c27130-9f7e-11f0-8978-23dd7eb26e73.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 03/10/2025

Uma onda de protestos liderados por jovens da Geração Z tem sacudido o Marrocos, resultando em três mortos, mais de 300 feridos e centenas de presos, segundo balanço divulgado pelo governo. Os manifestantes contestam os vultosos gastos do país para co-sediar a Copa do Mundo de 2030, junto com Espanha e Portugal, e exigem maiores investimentos em áreas sociais.

As manifestações, que começaram no último sábado, intensificaram-se na noite de quarta-feira (1º de outubro), tornando-se os distúrbios mais violentos desde o início do movimento. Confrontos entre jovens e forças de segurança foram registrados em diversas cidades, incluindo a capital Rabat, Salé, Tânger e Marrakech, com relatos de saques, veículos e edifícios incendiados.

O incidente mais grave ocorreu em Lqliaa, cerca de 470 km a sudeste de Rabat, onde duas pessoas morreram após policiais dispararam contra manifestantes que, segundo as autoridades, tentavam roubar seus armamentos. O primeiro-ministro marroquino, Aziz Akhannouch, confirmou posteriormente que o número de mortos subiu para três.

Organização e motivações

Os protestos foram organizados principalmente online por um grupo juvenil anônimo autodenominado "GenZ 212", uma referência à Geração Z e ao código telefônico internacional do Marrocos (+212). Eles utilizaram plataformas como TikTok, Instagram e Discord para mobilizar apoiadores. O servidor do grupo no Discord cresceu de aproximadamente 3 mil membros para mais de 130 mil em poucos dias, refletindo a rápida adesão ao movimento.

O estopim imediato para a recente onda de protestos foi a morte de oito mulheres grávidas em um hospital em Agadir, supostamente devido à má qualidade da anestesia durante cesarianas. A tragédia hospitalar contrastou com a inauguração de um estádio renovado em Rabat, parte de um pacote de obras orçado em mais de 4 bilhões de euros para a Copa do Mundo de 2030.

Nas ruas, os slogans cantados pelos manifestantes sintetizam o cerne de sua insatisfação: "os estádios estão aqui, mas onde estão os hospitais?" e "o povo quer um fim para a corrupção". Os jovens não rejeitam totalmente a realização do torneio, mas exigem que os investimentos públicos sejam distribuídos de forma mais justa [citation:7].

Cenário de insatisfação

Os protestos contra os gastos com a Copa expõem problemas estruturais mais profundos na economia e sociedade marroquinas:

  • Desemprego juvenil: A taxa de desemprego geral é de 12,8%, mas salta para 35,8% entre os jovens. Entre os graduados, o índice é de 19%.
  • Custo de vida: O preço de produtos básicos, como a carne, disparou nos últimos dois anos, pressionando as famílias de baixa renda.
  • Desigualdade regional: Enquanto grandes cidades como Casablanca e Tânger recebem grandes obras, outras como Fez e Oujda sentem-se abandonadas, alimentando um sentimento de injustiça social, conhecido localmente como "hogra".

Resposta do governo

O Ministério do Interior marroquino afirmou que respeita o direito de protesto dentro dos limites legais e se comprometeu a agir com "contenção e autocontrole". O primeiro-ministro Aziz Akhannouch elogiou a atuação policial e declarou que "o diálogo é a única maneira de resolver os problemas".

Enquanto isso, o grupo "GenZ 212" divulgou comunicados nas redes sociais rejeitando a violência e reafirmando seu compromisso com protestos pacíficos. O grupo deixou claro que seu descontentamento é com o governo, e não com as forças de segurança individualmente.

Com informações de: G1, CNN Brasil, DN - Diário de Notícias, Agência Brasil, Público, R7, Euronews. ■

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