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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, usou a tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, neste sábado (27), para negar veementemente qualquer envolvimento de seu paÃs na recente onda de drones não identificados que tem sobrevoado bases militares e aeroportos de paÃses europeus, em especial a Dinamarca. Ele definiu as acusações como "provocações" e alertou que "qualquer agressão contra meu paÃs será recebida com uma resposta decisiva". A fala ocorre em um momento de elevada tensão entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que planeja reforçar suas defesas na região do Báltico.
Os incidentes com os drones, que forçaram o fechamento temporário de aeroportos, incluindo o de Copenhague, foram classificados por autoridades dinamarquesas como um "ataque hÃbrido" – uma forma de guerra não convencional destinada a semear medo e desestabilizar – e apontam a Rússia como o principal suspeito. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, descreveu os eventos como "o ataque mais sério à infraestrutura crÃtica dinamarquesa até o momento".
Além de rebater as acusações, o chanceler russo abordou outros temas sensÃveis em seu pronunciamento:
Os episódios recentes na Dinamarca e na Noruega são parte de uma sequência de violações do espaço aéreo europeu que têm alarmado o bloco. Na sexta-feira (26), drones não identificados sobrevoaram por horas a maior base militar dinamarquesa, em Karup, causando novo alerta.
Em resposta, a Otan anunciou que irá "reforçar ainda mais a vigilância" na região do Mar Báltico com recursos adicionais de inteligência e ao menos uma fragata de defesa aérea. Paralelamente, ministros da Defesa de dez paÃses do leste europeu concordaram em priorizar a criação de um "muro antidrones", um sistema colaborativo de rastreamento e interceptação para proteger o espaço aéreo europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já sinalizou que 6 bilhões de euros podem ser reservados para uma aliança de drones com a Ucrânia.
Analistas internacionais sugerem que os incidentes, mesmo que de autoria não comprovada, servem como uma forma de a Rússia testar as defesas e a unidade da Otan. Keir Giles, especialista no exército russo, explica que Moscou tem interesse em "entender a capacidade da Otan de contrapor operações russas e a disposição para responder de forma significativa". A estratégia também teria como objetivo "normalizar" ações hostis, fazendo com que elas se tornem parte do "ruÃdo de fundo" geopolÃtico.
O desafio para a aliança ocidental é significativo. Relatório do Politico destaca que a Otan não está plenamente preparada para ameaças de drones baratos, muitas vezes tendo que usar jatos de combate de milhões de dólares para abater aeronaves não tripuladas de custo irrisório, uma equação financeiramente insustentável.
Enquanto a investigação sobre a origem dos drones continua, a retórica acalorada entre Moscou e as capitais ocidentais na ONU deixa claro que a crise dos drones aprofunda a desconfiança e amplia as fissuras em um cenário de segurança europeia já bastante fraturado.
Com informações de: G1, The Moscow Times, UOL, Bloomberg, Deutsche Welle, POLITICO, The Independent, CartaCapital. ■