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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira (23) na abertura do debate geral da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e enviou um recado claro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à pior crise diplomática entre os paÃses nas últimas décadas.
Seguindo a tradição que concede ao Brasil o primeiro pronunciamento, Lula usou o palco mundial para defender o multilateralismo e criticar veementemente o que chamou de "atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais", que estariam se tornando a regra no cenário internacional. Embora não tenha citado Trump ou os EUA nominalmente, o contexto das declarações deixou claro o alvo das crÃticas.
O recado a Trump
A fala de Lula ocorreu menos de 24 horas após o governo Trump anunciar uma nova rodada de sanções a autoridades brasileiras, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky à esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a revogação de vistos de outros integrantes do Judiciário e do Executivo. Essas medidas são uma retaliação direta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
Lula foi enfático ao responder: "Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável". Ele acrescentou que essa ingerência conta com o auxÃlio de uma "extrema direita subserviente" e de "falsos patriotas", em aparente referência a aliados de Bolsonaro que atuam nos EUA.
Democracia "inegociável" e o caso Bolsonaro
O presidente fez questão de mencionar a condenação de Bolsonaro, classificando-a como um marco para a democracia brasileira. "Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e à queles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis". Lula ressaltou que o ex-presidente teve amplo direito de defesa em um processo judicial minucioso, "prerrogativa que as ditaduras negam à s suas vÃtimas".
Outros temas globais
Além do embate com os EUA, o discurso de Lula abordou outros temas da agenda internacional:
Logo após a fala de Lula, foi a vez de Donald Trump discursar. O presidente americano focou em seus feitos econômicos e afirmou ter "finalizado sete guerras", em ironia à s Nações Unidas. Não houve um encontro bilateral formal entre os dois lÃderes durante o evento.
Com informações de: BBC.com, G1, UOL, Gazeta do Povo, Estado de S. Paulo, news.un.org. ■