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Lula defende soberania brasileira na ONU com recado direto a Trump
Em discurso que abriu a Assembleia Geral, presidente brasileiro criticou sanções dos EUA sem citar nominalmente o rival, afirmou que democracia é "inegociável" e mencionou condenação de Bolsonaro
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 23/09/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira (23) na abertura do debate geral da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e enviou um recado claro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à pior crise diplomática entre os países nas últimas décadas.

Seguindo a tradição que concede ao Brasil o primeiro pronunciamento, Lula usou o palco mundial para defender o multilateralismo e criticar veementemente o que chamou de "atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais", que estariam se tornando a regra no cenário internacional. Embora não tenha citado Trump ou os EUA nominalmente, o contexto das declarações deixou claro o alvo das críticas.

O recado a Trump

A fala de Lula ocorreu menos de 24 horas após o governo Trump anunciar uma nova rodada de sanções a autoridades brasileiras, incluindo a aplicação da Lei Magnitsky à esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e a revogação de vistos de outros integrantes do Judiciário e do Executivo. Essas medidas são uma retaliação direta à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.

Lula foi enfático ao responder: "Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável". Ele acrescentou que essa ingerência conta com o auxílio de uma "extrema direita subserviente" e de "falsos patriotas", em aparente referência a aliados de Bolsonaro que atuam nos EUA.

Democracia "inegociável" e o caso Bolsonaro

O presidente fez questão de mencionar a condenação de Bolsonaro, classificando-a como um marco para a democracia brasileira. "Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis". Lula ressaltou que o ex-presidente teve amplo direito de defesa em um processo judicial minucioso, "prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas".

Outros temas globais

Além do embate com os EUA, o discurso de Lula abordou outros temas da agenda internacional:

  • Conflito em Gaza: O presidente condenou o que chamou de "genocídio em curso em Gaza", afirmando que a fome está sendo usada como arma de guerra.
  • Meio ambiente: Lula destacou a importância da COP30, que será realizada em Belém no final do ano, chamando-a de "COP da verdade" para os compromissos climáticos globais.
  • Regulação digital: Defendeu a regulação das redes sociais, argumentando que "Regular não é restringir a liberdade de expressão", mas sim coibir crimes como desinformação e pedofilia.

Logo após a fala de Lula, foi a vez de Donald Trump discursar. O presidente americano focou em seus feitos econômicos e afirmou ter "finalizado sete guerras", em ironia às Nações Unidas. Não houve um encontro bilateral formal entre os dois líderes durante o evento.

Com informações de: BBC.com, G1, UOL, Gazeta do Povo, Estado de S. Paulo, news.un.org. ■

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