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Bolsonaristas vinculam assassinato de Charlie Kirk à esquerda sem evidências
Investigação revela perfil conservador do atirador, enquanto parlamentares brasileiros propagam narrativa falsa em campanha coordenada; especialistas alertam para urgência do Marco Legal das Fake News
Internet
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■   Bernardo Cahue, 13/09/2025

Em mais um episódio de desinformação política, os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO) e Marcel Van Hattem (NOVO-RS) associaram o assassinato do ativista conservador americano Charlie Kirk a "grupos esquerdistas" sem apresentar provas. As alegações, disseminadas nas redes sociais horas após o crime, contrastam radicalmente com o perfil real do suspeito – um jovem armamentista, cristão e vinculado a igrejas conservadoras, conforme revelado pelas investigações do FBI.

Em post semelhante numa rede social, também sem evidências, o apresentador Danilo Gentili alegou a morte de um armamentista pelas mãos de um não armamentista, em clara evidência de críticas a posições políticas de esquerda.

Narrativa falsa ganha corredores no poder

Em publicações coordenadas, os parlamentares brasileiros insinuaram que o atirador teria ligações com movimentos progressistas:
  • Nikolas Ferreira afirmou em seu canal no Telegram: "A esquerda radical mostra sua face assassina mais uma vez".
  • Gustavo Gayer publicou: "Kirk foi vítima do ódio esquerdista que prega a violência".
  • Marcel Van Hattem questionou: "Até quando a esquerda violentará conservadores?".

As declarações ignoram evidências apuradas pelas autoridades americanas: o principal suspeito é um homem branco de 20 anos, frequentador de igrejas evangélicas, defensor do porte de armas e admirador de teorias conspiratórias de extrema-direita. Seu perfil coincide com o de extremistas conservadores, não com movimentos progressistas.

Histórico de notícias falsas

Os três parlamentares possuem trajetórias marcadas pela disseminação de desinformação:
  • Nikolas Ferreira foi condenado a pagar R$ 80 mil por danos morais à deputada trans Duda Salabert e responde a processos por fake news eleitorais.
  • Gustavo Gayer foi condenado a indenizar o PT por associar eleitores do partido a "criminosos e assassinos".
  • Marcel Van Hattem foi indiciado pela PF por calúnia contra delegados que atuam em investigações do STF.

Realidade x Ficção Política

Enquanto os bolsonaristas promoviam a narratura de "assassinato esquerdista", investigações do FBI revelavam:
  • O suspeito foi entregado às autoridades pelo próprio pai, após reconhecê-lo em imagens divulgadas .
  • Equipamentos apreendidos incluíam material de propaganda conservadora e livros de teoria conspiratória.
  • Não há registros de vinculação a movimentos progressistas ou antifascistas.

Urgência legislativa contra desinformação

Especialistas apontam o caso como emblemático para a urgência da votação do Projeto de Lei 2630/2020 (conhecido como Marco Legal das Fake News), que estabelece normas de transparência para redes sociais e responsabiliza provedores por combate à desinformação .

O projeto, aprovado pelo Senado em 2022 e atualmente tramitando na Câmara dos Deputados, criaria mecanismos para:

  • Identificação de contas inautênticas de grande alcance.
  • Remoção acelerada de conteúdo comprovadamente falso.
  • Transparência em conteúdos patrocinados politicalmente.

"Casos como este mostram como a desinformação tornou-se arma política transnational. Precisamos de legislação ágil para proteger o debate democrático", afirmou a professora de Direito Digital da USP, Carolina Flores.

Contexto Internacional

O assassinato de Charlie Kirk expôs a fractura política nos EUA, onde discursos de ódio e fácil acesso a armas culminaram em múltiplos episódios de violência política recentes, incluindo dois atentados contra Donald Trump em 2024. Governadores americanos e lideranças congresionais de ambos os partidos pediram moderação retórica após o crime.

A Democracia sob ataque

A manipulação de eventos trágicos para fins políticos revela vulnerabilidade institucional brasileira frente à desinformação. Enquanto parlamentares bolsonaristas distorcem fatos internacionais, projetos críticos para a saúde democrática aguardam votação há anos.

Como afirmou o governador de Utah, Spencer Cox, após o assassinato de Kirk: "É só isso? É isso que 250 anos nos trouxeram?" . Para o Brasil, a pergunta é: até quando a democracia será refém da desinformação?

Com informações de Wikipedia, Gov.br, Senado Federal, BBC, El País, Veja, Metrópoles, O Globo, DW. ■

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