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Deslizamento de terra no Sudão mata mais de mil pessoas
Tragédia em região montanhosa isolada é agravada por conflito armado e crise humanitária; grupo rebelde pede ajuda internacional
Africa
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/news/1024/cpsprodpb/1358/live/889cb530-87e4-11f0-b36e-47414de99d82.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 02/09/2025

Um deslizamento de terra de grandes proporções atingiu a vila de Tarasin, nas Montanhas Marrah, na região de Darfur, Sudão, resultando em mais de mil mortes, segundo informou o grupo rebelde Movimento/Exército de Libertação do Sudão (MLS), que controla a área. O incidente ocorreu em 31 de agosto de 2025, após dias de fortes chuvas na região.

De acordo com comunicado do MLS, apenas uma pessoa sobreviveu à tragédia que "arrasou completamente" a aldeia, conhecida pela produção de frutas cítricas. O grupo rebelde fez um apelo urgente à ONU e a organizações humanitárias internacionais para auxiliarem nas operações de resgate e recuperação de corpos.

As Montanhas Marrah, localizadas a sudoeste da capital do estado de Darfur do Norte, El-Fasher, têm servido como refúgio para centenas de milhares de pessoas deslocadas devido à guerra civil que assola o Sudão desde abril de 2023. A região é caracterizada por:

  • Terrenos montanhosos e remotidade que dificultam o acesso
  • Infraestrutura frágil ou inexistente
  • Maior pluviosidade e temperaturas mais baixas que nas áreas vizinhas

Esses fatores, combinados com a estação chuvosa que atinge seu pico em agosto, criam condições propícias para deslizamentos.

O governador de Darfur, Minni Minnawi, classificou o desastre como uma "tragédia humanitária que transcende as fronteiras da região" e ecoou o pedido de ajuda internacional, afirmando que a situação "é maior do que nosso povo pode suportar sozinho".

A tragédia ocorre em meio a uma das piores crises humanitárias do mundo. O Sudão vive uma guerra sangrenta entre:

  • O Exército oficial sudanês, liderado por Abdel Fattah al-Burhan
  • O grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF), comandado por Mohamed Hamdan Dagalo

O conflito já:

  • Causou dezenas de milhares de mortes (estimativas variam de 40 mil a 150 mil)
  • Deslocou internamente cerca de 10 milhões de pessoas
  • Forçou o exílio de aproximadamente 4 milhões de sudaneses para países vizinhos
  • Dizimou a infraestrutura do país e gerou fome generalizada.

Grande parte de Darfur, incluindo a área do deslizamento, permanece praticamente inacessível para organizações não-governamentais e agências de ajuda devido aos combates contínuos e às severas restrições, o que limita drasticamente o fornecimento de assistência humanitária. O Médicos Sem Fronteiras descreveu essas áreas como "um buraco negro" na ajuda humanitária.

Além da violência do conflito, a população sudanesa enfrenta atrocidades graves, incluindo assassinatos e estupros por motivos étnicos, que estão sob investigação do Tribunal Penal Internacional (TPI) por possíveis crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Com informações de: DW, BBC, Vatican News, Agence France-Presse (AFP) via UOL, RTP, G1, UOL, Folha de S.Paulo, Terra, Público. ■

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