Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
EUA sancionam burocratas de terceiro escalão da Saúde enquanto poupam Dilma e Padilha
Cancelamento de vistos de dois funcionários médios - um já fora do governo - vira arma geopolítica sob alegação de "exploração cubana". Eduardo Bolsonaro celebra medida como "aviso" em meio a sanções que ignoram países europeus com programas idênticos
Internacional
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRrz4WlWOvH62WAjZOvVXQpOiO6ieKqraDU5zPxYaadpv-j-da0y6MTIHwB&s=10
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 14/08/2025

O governo norte-americano anunciou nesta quarta-feira (13) o cancelamento de vistos de Mozart Julio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor internacional da pasta e atual coordenador da COP30 - que nem integra mais o governo federal. A justificativa? Combater o suposto "esquema brasileiro de exploração trabalhista" batizado de Mais Médicos segundo o secretário de Estado Marco Rubio, que qualificou o programa como "golpe diplomático" e "trabalho forçado".

Rubio, filho de cubanos exilados e conhecido por sua obsessão anti-Havana, afirmou que os funcionários "usaram a OPAS como intermediária com a ditadura cubana" e "burlaram sanções". Curiosamente, porém, as sanções pouparam figuras-chave como a então presidente Dilma Rousseff e o ministro Alexandre Padilha - este ainda no comando da Saúde. Analistas sugerem que a "moderação estratégica" evitaria constrangimentos com a presidente do BID (Dilma) e um ministro ativo.

Eduardo Bolsonaro, exilado nos EUA após fugir de processos no STF, comemorou a medida como "recado inequívoco":

  • "Nem ministros, nem burocratas dos escalões inferiores, nem seus familiares estão imunes. Mais cedo ou mais tarde, todos [...] responderão pelo que fizeram"
  • O deputado ignorou que 61 países - incluindo aliados dos EUA como Itália e Portugal - mantêm parcerias idênticas com Cuba

A ironia que Rubio esqueceu:

  1. Vagas rejeitadas por brasileiros: O programa atuou exatamente onde médicos locais recusavam-se a trabalhar - periferias, aldeias indígenas e interiores remotos. Em 700 municípios, foi a primeira vez com atendimento médico regular
  2. Financiamento "excelente": Cuba recebia até 70% dos salários, mas garantia aos médicos educação gratuita, saúde pública, segurança alimentar e infraestrutura básica - conquistas raras em países sob embargo há 60 anos
  3. Aprovação recorde: 95% dos pacientes aprovavam o programa, com nota 8.4. Entre indígenas, chegava a 8.7

Enquanto Washington acusa Cuba de "exploração", omite que:

  • Médicos cubanos voluntariamente integravam as missões como forma de contornar o embargo econômico
  • A Itália paga €3.500/mês (+ €1.200 de auxílio) por médico cubano - sem sofrer sanções
  • Yaser Herrera, médico cubano que atuou no Brasil, confirmou salários reduzidos, mas destacou: "Só queria exercer a medicina de forma justa"

Padilha rebateu com ironia fina: "O Mais Médicos, como o Pix, sobreviverá a ataques injustificáveis". Lula foi mais direto: "Há muitos lugares para conhecer dentro do Brasil".

Com informações de G1, DW, CNN Brasil, O Tempo, Gazeta do Povo, Metrópoles, Agência Brasil e O Globo.

Mais Notícias