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Relatório de Trump critica Brasil e África do Sul, mas absolve El Salvador e Israel
Documento do Departamento de Estado, atrasado e reescrito sob comando político, evidencia uso de direitos humanos como arma de alinhamento ideológico
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 13/08/2025

O Departamento de Estado dos EUA divulgou nesta terça-feira (12) seu relatório anual sobre direitos humanos, marcado por críticas agressivas ao Brasil e à África do Sul, enquanto minimizou violações em nações aliadas como El Salvador e Israel. A edição de 2024, atrasada por meses de revisões sob orientação da administração Trump, confirma um padrão de seletividade política que especialistas classificam como instrumentalização do tema para pressionar adversários e proteger parceiros estratégicos.

As alterações mais significativas incluem:

  • Brasil como alvo principal: O documento afirma que a situação dos direitos humanos no país "se deteriorou", atacando especificamente o Judiciário por "supressão desproporcional da liberdade de expressão" de apoiadores de Jair Bolsonaro. O relatório omitiu menções a violência contra mulheres e LGBTQIA+, presentes em anos anteriores.
  • África do Sul sob fogo: Acusou o governo de "expropriação de terras de afrikaners" e "abusos contra minorias raciais", ecoando narrativas da extrema-direita sul-africana promovidas por Elon Musk. O governo de Pretória rejeitou o documento como "inexato e profundamente falho".
  • El Salvador isento: Afirmou não haver "relatos confiáveis de abusos significativos" – um contraste gritante com o relatório de 2023, que detalhava execuções extrajudiciais e condições carcerárias desumanas. A mudança ocorre após o presidente Nayib Bukele receber US$ 6 milhões dos EUA para abrigar deportados em uma "mega-prisão" de alta segurança.
  • Israel protegido: A seção sobre o conflito em Gaza foi drasticamente enxuta, sem menção à crise humanitária ou ao número de mortos (mais de 61.000). Omitiu também os mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional contra Benjamin Netanyahu.

O viés político foi sistêmico:

  • Reestruturação ideológica: O secretário de Estado Marco Rubio havia prometido reorientar o relatório para "valores ocidentais", acusando o órgão de ser um "palco para ativistas de esquerda". Centenas de funcionários do Departamento de Estado foram demitidos durante o processo.
  • Contexto geopolítico: O ataque ao Brasil ocorre após Trump impor tarifas de 50% sobre exportações brasileiras e sanções ao ministro Alexandre de Moraes – retaliação direta ao processo contra Bolsonaro, que Trump chama de "caça às bruxas".
  • Europa na mira: O relatório incluiu até mesmo aliados tradicionais como Reino Unido e Alemanha, acusando-os de "restrições à liberdade de expressão" por leis que combatem discurso de ódio online.

Especialistas e ex-funcionários do Departamento de Estado condenaram o documento como uma ruptura com décadas de credibilidade. Para Uzra Zeya, ex-dirigente da pasta, o relatório é um "abandono de valores fundamentais" que sinaliza "anistia a governos dispostos a cortar acordos com esta administração".

Com informações de: The Guardian, Reuters, Al Jazeera, Valor Econômico, BBC, Bloomberg, Sputnik Africa

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