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Ameaça de prisão a 50 deputados democratas expõe estratégia golpista de Trump e aliados
Governador republicano do Texas ordena prisão de opositores para forçar remapeamento eleitoral que ampliaria bancada conservadora no Congresso dos EUA, enquanto Trump aciona FBI em manobra comparável à "caça às bruxas" denunciada por Bolsonaro no Brasil
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 07/08/2025

O governador do Texas, Greg Abbott, aliado de Donald Trump, emitiu ordens de prisão contra 50 deputados estaduais democratas que deixaram o estado para bloquear votação do polêmico projeto de redesenho distrital. A manobra, classificada por analistas como golpe institucional, visa alterar a geografia eleitoral para beneficiar republicanos em até cinco cadeiras na Câmara dos Representantes, consolidando o controle de Trump no Congresso antes das eleições.

A estratégia republicana no Texas segue estes passos:

  • Remapeamento partidário: Fragmentação de distritos democratas urbanos (Houston, Dallas, Austin) e regiões de maioria hispânica, diluindo seu poder eleitoral
  • Coerção institucional: Uso de ordens de prisão civil para compelir o retorno dos parlamentares e garantir quórum
  • Intervenção federal: Trump anunciou através do senador John Cornyn que o FBI participará das buscas aos deputados

Os deputados, recebidos em Illinois pelo governador democrata JB Pritzker, enfrentaram até ameaça de bomba no hotel onde estavam hospedados – episódio atribuído ao clima de intimidação fomentado pela retórica trumpista. "Enfrentei ameaças antes, mas nunca vindas de um governador ou do presidente Trump", declarou a deputada Ann Johnson.

Paralelos autoritários: Do Texas ao Brasil

Trump qualificou as ações contra os deputados como "necessárias", ecoando sua declaração sobre processos contra si como "caça às bruxas" – mesma expressão usada por Bolsonaro para descrever as investigações do ministro Alexandre de Moraes. Contudo, a resposta democrática mostra diferenças cruciais:

  • Brasil (2025): Moraes determinou prisão domiciliar a Bolsonaro após descumprimento reiterado de medidas cautelares, com monitoramento eletrônico e restrições de contato, sem condenação definitiva
  • Brasil (2018): Lula foi preso preventivamente após condenação em segunda instância, confinado em sala da PF de Curitiba por 580 dias, com sentença definida por Sérgio Moro antes de trânsito em julgado

A comparação histórica revela padrões autoritários distintos:

  • Bolsonaro: Prisão cautelar domiciliar após descumprir decisões judiciais, com acesso a advogados e sem transferência para sistema prisional
  • Lula: Prisão antecipada em instalações policiais, condenação a 12 anos antes de esgotar recursos, com Moro coordenando operação midiática da prisão

O cenário atual reflete a escalada autoritária trumpista:

  • Abbott ameaça cassar mandatos dos deputados ausentes
  • Trump pressiona publicamente pelo uso do FBI contra opositores políticos
  • Estados republicanos como Flórida, Ohio e Missouri preparam manobras similares de gerrymandering

Como afirmou o governador Pritzker: "Abbott é um covarde que lambe as botas de Trump". A resistência democrática organiza-se através de governos estaduais como Nova York e Califórnia, que estudam contra-manobras eleitorais, embora limitados por regras de comissões independentes.

O paralelo entre as estratégias de Trump e Bolsonaro evidencia a convergência global de táticas golpistas: da obstrução institucional no Texas às ameaças de morte contra Lula, Alckmin, Moraes e José Dirceu no Brasil. Enquanto isso, a Suprema Corte americana mantém-se alheia, desde 2019, a denúncias de gerrymandering – decisão que agora facilita este ataque à democracia representativa.

Com informações de: G1, France24, CNN Brasil, Vermelho, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, STF, Agência Brasil

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