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França anuncia reconhecimento histórico do Estado Palestino na ONU
Decisão unilateral de Macron provoca reações acirradas e redefine posicionamento ocidental no conflito
Internacional
Foto: https://media.cnn.com/api/v1/images/stellar/prod/2025-07-23t104459z-2043802467-rc2asfaqab27-rtrmadp-3-france-politics.jpg?c=original&q=w_680,c_fill/f_avif
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■   Bernardo Cahue, 24/07/2025

O presidente francês Emmanuel Macron confirmou que a França reconhecerá oficialmente o Estado da Palestina durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro de 2025. O anúncio, feito através de carta ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, posiciona a França como a primeira grande potência ocidental a tomar essa medida. O ato solene ocorrerá em Nova York e visa relançar a solução de dois Estados como base para uma paz duradoura no Oriente Médio. A França copresidirá com a Arábia Saudita uma cúpula internacional paralela para mobilizar aliados em torno dessa iniciativa diplomática.

As reações internacionais dividiram-se radicalmente:

  • Israel condenou veementemente a decisão, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmando que a medida recompensa o terrorismo e criaria um "proxy iraniano". O governo israelense considera que um Estado Palestino sob condições atuais serviria como plataforma para aniquilar Israel, não para coexistir pacificamente
  • Os Estados Unidos, através do secretário de Estado Marco Rubio, rejeitaram o plano francês como imprudente, classificando-o como um "tapa na cara" das vítimas do ataque de 7 de outubro
  • A Autoridade Palestina saudou a iniciativa como reflexo do compromisso francês com o direito internacional e a autodeterminação palestina
  • O Hamas qualificou o anúncio como passo positivo na direção certa, conclamando outras nações a seguirem o exemplo francês

O contexto diplomático mostra que a França integra agora o grupo de 142 países que reconhecem a Palestina, equivalendo a três quartos dos membros da ONU. Na Europa, nações como Espanha, Irlanda, Noruega e Eslovênia já haviam tomado medida similar em 2024. Contudo, a decisão francesa destaca-se pelo peso geopolítico do país como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e integrante do G7. A iniciativa ocorre em meio a impasses nas negociações de paz em Doha, com EUA retirando suas equipes do Catar após acusações de má-fé do Hamas.

O anúncio francês insere-se no agravamento da crise humanitária em Gaza, onde a ofensiva israelense já causou mais de 70 mil mortes palestinas e deslocou 90% da população. Organismos internacionais alertam para risco iminente de fome, com uma em cada cinco crianças sofrendo desnutrição aguda. A ONU relatou ainda mais de mil palestinos mortos enquanto buscavam ajuda humanitária desde maio. Neste cenário, 26 países ocidentais assinaram declaração conjunta exigindo fim imediato da guerra e condenando a negação de assistência humanitária essencial a civis.

Com informações de Pravda, UOL, O Globo, Deutsche Welle, G1, Agência Brasil, CBN e CNN Brasil.

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