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Como Netanyahu, a Lista Epstein e o genocídio em Gaza subjugam Washington
Eleitores de Trump exigem nomes da lista enquanto suspeitas de chantagem explicam apoio cego dos EUA a Israel
Internacional
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■   Bernardo Cahue, 17/07/2025
A divulgação de 950 páginas de documentos judiciais relacionados a Jeffrey Epstein em janeiro de 2024 revelou nomes de figuras poderosas, mas nenhuma "lista de clientes" ou prova de chantagem. Entre os mencionados estão Bill Clinton, Donald Trump, o príncipe Andrew e celebridades como Michael Jackson e David Copperfield. As páginas detalham depoimentos de vítimas, como Johanna Sjoberg, que acusou o príncipe Andrew de assédio, e Virginia Giuffre, que citou encontros com políticos. Contudo, o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) concluiu, em julho de 2025, que não há evidências de uma lista secreta ou esquema de extorsão envolvendo Epstein. O relatório enfatizou: "Não encontramos provas de um "registro de clientes" [...] nem de que Epstein chantageou figuras proeminentes".

A Fúria MAGA: Teorias, Traição e a Crise de Lealdade
A base eleitoral de Trump, mobilizada por anos de teorias conspiratórias alimentadas por aliados como o ex-assessor Steve Bannon e o deputado J.D. Vance, revoltou-se com as conclusões do DOJ. Influenciadores de extrema-direita (Jack Posobiec, Alex Jones) e figuras como Elon Musk acusaram o governo de encobrir a "verdadeira lista". Musk chegou a afirmar, em junho de 2025, que Trump estava nos arquivos – alegação sem provas que intensificou a desconfiança. A procuradora-geral Pam Bondi, que prometera transparência, tornou-se alvo do movimento MAGA após distribuir pastas com documentos já públicos em fevereiro de 2025, rotuladas como "Fase 1" dos Arquivos Epstein. A decepção foi tamanha que deputados como Anna Paulina Luna ameaçaram: "Pam, se você não consegue fazer seu trabalho, encontraremos alguém que o faça".

Trump, por sua vez, chamou seus apoiadores de "fracos" em julho de 2025, acusando-os de cair na "besteira" dos democratas. Em postagens na Truth Social, ele desdenhou: "Não quero mais o apoio deles!". A reação reflete um raro cisma no movimento MAGA, agora dividido entre lealdade ao líder e a demanda por respostas sobre elites supostamente protegidas.

Netanyahu, o "Trunfo" Invisível e o Genocídio em Gaza
A teoria de que Benjamin Netanyahu deteria supostos arquivos de Epstein como moeda de barganha ganhou força em círculos conspiratórios, embora nenhuma evidência a sustente. Analistas sugerem que essa narrativa explicaria a subserviência dos EUA ao governo israelense, mesmo durante o genocídio em Gaza – onde 186 mil palestinos morreram em 12 meses, segundo a The Lancet. Enquanto o DOJ enterrava as investigações sobre Epstein em julho de 2025, o Congresso americano aprovava pacotes de armas bilionários para Israel, financiando ataques a hospitais, campos de refugiados e infraestrutura civil em Gaza. A coincensão temporal alimentou especulações sobre uma troca obscura: silêncio sobre Epstein em troca de carta branca para os crimes de guerra israelenses.

Pierre Stambul, historiador antissionista, reforça que o projeto sionista é inerentemente colonialista e genocida, dependente do apoio ocidental. Para ele, a "solução de dois Estados" é inviável devido aos 900 mil colonos ilegais na Cisjordânia – muitos armados e protegidos por Netanyahu. A insistência dos EUA em patrocinar Israel, mesmo após acusações na Corte Internacional de Justiça, seria, assim, um preço pago para manter segredos de Epstein sob controle.

O Legado de um Fantasma
Epstein tornou-se um símbolo da impunidade das elites, mas sua sombra política é mais útil do que os fatos. O DOJ encerrou o caso sem novas acusações, e as vítimas seguem sem justiça completa. Para os eleitores de Trump, porém, a "lista" permanece um grito de guerra contra um sistema que protege os poderosos – inclusive, talvez, seu próprio líder. Já para Israel, a desinformação sobre Epstein pode ser o trunfo perfeito: uma arma imaginária que custa vidas reais em Gaza.

Com informações de BBC, BDF, Veja, Al-Jazeera, MPPM-Palestina e CNN.■

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