Enquanto tropas federais superam efetivos no Iraque e SÃria, imigrantes enfrentam detenções ilegais e protestos se espalham pelos EUA
Los Angeles vive hoje um cenário de guerra doméstica. A cidade tornou-se o maior quartel militar dos Estados Unidos, com 4.800 soldados federais nas ruas - número que supera todas as tropas americanas no Iraque e SÃria juntas. Este é o centro de uma crise que já levou protestos a dezenas de cidades americanas.
A escalada começou com as batidas do ICE no último fim de semana: 300 imigrantes detidos só na Califórnia, segundo a CHIRLA. A resposta foi imediata: carros incendiados, bloqueios de ruas e confrontos com a polÃcia. Mas o que começou em Los Angeles explodiu nacionalmente.
Fontes do Departamento de Segurança Interna confirmam protestos em 32 cidades desde quarta-feira. Em Nova York, 500 pessoas cercaram um centro de detenção do ICE. Em Chicago, manifestantes interromperam o tráfego no centro financeiro. Ativistas estimam que mais de 10 mil pessoas já foram às ruas, denunciando o que chamam de "caça humana".
Eis o paradoxo: enquanto imigrantes sofrem com celas superlotadas e negação de advogados, Los Angeles abriga mais soldados que zonas de guerra. Dados oficiais mostram:
- 2.500 no Iraque
- 1.500 na SÃria
Total: 4 mil.Los Angeles: 4.800.
Um batalhão de fuzileiros navais chegou ontem, somando-se aos 4.000 da Guarda Nacional enviados por ordem expressa de Trump.
A justificativa não convenceu o governador Newsom, que acionou a Justiça contra a Casa Branca: "Isto alimenta o ego de um presidente perigoso", disparou. Enquanto isso, o ICE segue com batidas planejadas para 30 dias - e relatos de abusos se multiplicam: detidos no escuro por até 24 horas, sem água ou comida.
O cenário é de dois exércitos: um de fardas nas ruas, outro de vozes nas praças. Enquanto Washington fala em "ordem", Los Angeles pergunta: ordem para quem?
Com informações da BBC e teleSUR.■