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As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, realizadas em Islamabad sob a mediação do Paquistão, entraram na madrugada deste domingo (12/4) em sua terceira rodada de conversas. Apesar do clima de cautela e do tom geral considerado construtivo pelas fontes diplomáticas, as delegações ainda não conseguiram superar os principais entraves que separam os dois países, especialmente em relação ao controle do Estreito de Ormuz e ao futuro do programa nuclear iraniano.
O encontro histórico — o primeiro diálogo direto entre os mais altos escalões dos dois governos desde a Revolução Islâmica de 1979 — ocorre sob os auspícios de um frágil cessar-fogo de duas semanas, anunciado na terça-feira (7/4) e também intermediado pelo governo paquistanês. No entanto, analistas alertam que o caminho para um acordo definitivo ainda é longo e repleto de armadilhas.
Após duas rodadas de negociações realizadas ainda na noite de sábado (11/4), a agência de notícias estatal iraniana (IRNA) confirmou que os trabalhos foram retomados para uma terceira fase. A previsão inicial era de que os debates avançassem durante o domingo, com foco na discussão de detalhes técnicos, enquanto as lideranças políticas monitoravam os desdobramentos à distância.
Segundo relatos de interlocutores à imprensa internacional, o ambiente geral das tratativas tem sido surpreendentemente cordial, com as delegações se reunindo no mesmo espaço — algo que não estava garantido inicialmente, já que se especulava que os representantes ficariam em salas separadas devido à desconfiança mútua. Um alto funcionário paquistanês, que pediu anonimato, assegurou à agência France-Presse que “as negociações avançam na direção certa”.
Os holofotes da diplomacia mundial se voltaram para o Hotel Serena, na capital paquistanesa, onde as comitivas se instalaram sob forte esquema de segurança. Os nomes à mesa refletem a alta relevância do encontro:
Sharif, em declaração à imprensa, classificou o momento como uma oportunidade de “tudo ou nada” para a estabilidade regional, mas fez questão de temperar o otimismo: “Uma fase ainda mais difícil está por vir”, afirmou, referindo-se à complexidade dos temas técnicos em discussão.
Enquanto os líderes trocam apertos de mão e discursos conciliatórios, as equipes técnicas enfrentam dificuldades reais para harmonizar documentos. A seguir, os principais pontos que travam o avanço de um acordo final:
A delegação iraniana desembarcou em Islamabad com uma comitiva de 71 pessoas, carregando uma série de exigências consideradas “linhas vermelhas” pelo governo de Teerã. Do outro lado da mesa, o vice-presidente JD Vance adotou um tom firme, afirmando antes de partir que, “se os iranianos tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não será tão receptiva”.
A escolha do Paquistão como anfitrião pegou muitos analistas de surpresa, mas se justifica por uma combinação única de fatores geopolíticos. Ao mesmo tempo em que mantém uma relação estratégica com os EUA (incluindo um pacto de defesa com a Arábia Saudita, aliado de Washington), Islamabad compartilha uma longa fronteira e laços culturais profundos com o Irã.
Especialistas apontam que a mediação paquistanesa preencheu o vácuo deixado por países como Catar e Omã, cuja neutralidade foi comprometida por ataques diretos do Irã durante o conflito. “O fato de que o Paquistão foi capaz de alcançar esse avanço diplomático no último minuto definitivamente lhe confere muita credibilidade”, disse à CNN Farwa Aamer, diretora do Instituto de Política Asiática.
No entanto, os riscos para Islamabad são imensos. Caso as negociações fracassem, o país pode ser arrastado para um conflito direto com seu vizinho iraniano, especialmente devido ao seu pacto de defesa com Riade. “O Paquistão enfrentaria o aquecimento de três fronteiras”, alertou o especialista Abdul Basit, em entrevista à BBC.
O mundo acompanha com apreensão os desdobramentos em Islamabad, especialmente os mercados financeiros, que têm sofrido com a volatilidade dos preços da energia desde o bloqueio do Estreito de Ormuz. A França e a Alemanha já emitiram comunicados pedindo moderação e o fim imediato dos ataques israelenses no Líbano.
Enquanto as conversas ocorrem em solo paquistanês, Israel mantém sua ofensiva contra o Hezbollah. Nas últimas horas, novos bombardeios mataram dezenas de civis no sul do Líbano, o que levou o Irã a ameaçar abandonar a mesa de negociações. “Não haverá acordo se os interesses israelenses forem priorizados”, afirmou o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref.
A despeito das dificuldades, diplomatas ocidentais na região citam a composição das delegações como um motivo para otimismo cauteloso. Tanto Irã quanto EUA enviaram equipes maiores e com mais poder de decisão do que aquelas que participaram das negociações nucleares anteriores. “A presença de JD Vance mostra que a administração Trump está levando isso a sério”, disse um diplomata baseado no Golfo.
Não há uma data definida para o término da terceira rodada, e especula-se que os trabalhos possam se estender por mais alguns dias, com pausas para que os técnicos analisem as propostas. A expectativa é de que, ao final dos trabalhos, um comunicado conjunto seja divulgado, embora as partes já tenham admitido que não se trata de uma missão simples.
O desfecho desta cúpula pode definir os rumos do Oriente Médio pelos próximos anos. Para o Irã, em jogo está o fim do isolamento econômico e a garantia de segurança contra novos ataques. Para os Estados Unidos, trata-se de conter o avanço nuclear iraniano e reestabelecer o fluxo global de energia. E para o Paquistão, que declarou dois dias de feriado nacional em celebração ao seu papel diplomático, trata-se de consolidar seu retorno ao cenário geopolítico global como um ator relevante e confiável.
Com informações de Metrópoles, Poder360, Brasil de Fato, G1, BBC News Brasil, Correio Braziliense, Folha de Pernambuco, CBN, Correio do Povo, CNN Brasil, Oman Observer, Daily Sabah, Anhar, Khaleej Times, ANI, Bernama, 24NewsHD, Swissinfo, Exame, O Tempo, Xinhua, Valor Investe, RTP, Gazeta do Povo, e Folha PE ■