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Dólar derrete à casa dos 4 após mais de dois anos
Em meio a tensões geopolíticas e realocação global de capital, moeda norte-americana encerra pregão abaixo da barreira dos R$ 5,00 pela primeira vez desde 2024, enquanto Ibovespa voa e renova recordes históricos
Economia
Foto: https://www.areavip.com.br/wp-content/uploads/2026/04/dolar_moeda_0803221212.jpg
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■   Bernardo Cahue, 14/04/2026

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia histórico nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026. Em um movimento que pegou muitos investidores de surpresa, o dólar comercial fechou o pregão cotado a R$ 4,9969, registrando uma queda de 0,29%. Essa é a primeira vez em mais de dois anos que a moeda norte-americana encerra um pregão abaixo da simbólica barreira psicológica dos R$ 5,00. A última vez que isso havia ocorrido foi em 27 de março de 2024, quando a divisa fechou a R$ 4,979.

A queda do dólar foi acompanhada por um rali histórico na bolsa de valores brasileira. O Ibovespa, principal índice da B3, subiu 0,34% e fechou aos 198.001 pontos, renovando seu recorde máximo e superando pela primeira vez a marca dos 198 mil pontos. Durante o dia, o índice atingiu a máxima histórica de 198.173 pontos, consolidando um rali que já dura dez pregões consecutivos de alta.

O que impulsionou a queda da moeda?

Diferentemente do que muitos poderiam imaginar, a desvalorização do dólar frente ao real não foi impulsionada por fatores domésticos, mas sim por um conjunto de fatores geopolíticos e uma consequente realocação massiva de capital no cenário internacional. O movimento reflete uma busca global por alternativas de investimento fora dos Estados Unidos.

Os analistas apontam os seguintes fatores como principais motores da queda do dólar:

  • Rearranjo Global de Capital: Investidores internacionais estão se afastando de ativos nos EUA devido ao aumento da percepção de risco associado às políticas do presidente Donald Trump e à avaliação de que empresas americanas estão supervalorizadas. Esse capital está sendo realocado para economias emergentes, como o Brasil, o que aumenta a demanda por reais e pressiona o dólar para baixo.
  • Conflito no Oriente Médio: As tensões entre Estados Unidos e Irã tiveram um papel central. Apesar do início do bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA, as tensões diminuíram ao longo do dia após o presidente Donald Trump afirmar que representantes do Irã teriam procurado os EUA para retomar as negociações de paz. Essa declaração inverteu a aversão ao risco e fortaleceu moedas de países emergentes, como o real.
  • Fluxo Estrangeiro no Brasil: O país tem se beneficiado de uma forte entrada de capital estrangeiro. Apenas na última quinta-feira (9), os investidores internacionais aportaram R$ 8,4 bilhões no mercado nacional. No ano, o fluxo já supera os R$ 65 bilhões, o que tem sido um dos principais vetores de alta para o Ibovespa e de valorização do real.
  • Commodities em Alta: A valorização das commodities no exterior, como minério de ferro e petróleo, também favorece o real. Como o Brasil é um grande exportador desses bens, a alta de seus preços tende a valorizar a moeda brasileira frente ao dólar.
  • Diferencial de Juros: A taxa de juros elevada no Brasil continua atraindo investidores para operações de "carry trade", que consiste em tomar empréstimos em países com juros baixos para investir em países com juros altos, lucrando com a diferença. Esse fluxo também pressiona o dólar para baixo.

Impacto em outros ativos e projeções

O movimento de queda do dólar no Brasil também foi observado no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de outras divisas fortes, também recuou, reforçando o caráter global da desvalorização.

Já o petróleo, que opera de forma inversa ao dólar, subiu forte, refletindo as tensões no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência global, subia mais de 3% no fim do dia, sendo negociado acima de US$ 98.

Com esse cenário, o mercado financeiro já revisou suas projeções para o câmbio. Analistas consultados semanalmente pelo Banco Central (BC) no Boletim Focus agora estimam que o dólar encerrará 2026 cotado a R$ 5,37, abaixo da projeção anterior de R$ 5,40. Para 2027, a estimativa recuou de R$ 5,45 para R$ 5,40.

Cenário para os próximos dias

Apesar do clima de otimismo, o mercado segue em estado de alerta. A guerra no Oriente Médio continua sendo um fator de grande volatilidade. Analistas apontam que, embora o real esteja se consolidando como uma das moedas de melhor desempenho no ano, qualquer novo desdobramento negativo no front geopolítico pode reverter a tendência de queda do dólar.

O foco dos investidores agora se volta para as negociações entre Estados Unidos e Irã e para os próximos passos da política monetária brasileira, em um ambiente de inflação que já ameaça romper o teto da meta.

Com informações de G1, UOL, Forbes Brasil, Exame, Valor Investe, CNN Brasil, IG, Band, InfoMoney, O Globo, Jovem Pan, Agência Brasil, Reuters e Bloomberg ■

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