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O Irã iniciou o sábado (18 de abril de 2026) com uma escalada militar que elevou as tensões no Oriente Médio a um novo patamar. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) reverteu a decisão de reabrir o Estreito de Ormuz, anunciada na véspera, e reimpôs restrições à via navegável mais estratégica do mundo para o comércio de petróleo. A medida ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter afirmado que o bloqueio naval norte-americano a portos iranianos permaneceria “em pleno vigor” até que um acordo de paz fosse firmado. Horas depois do anúncio do fechamento, duas lanchas da Guarda Revolucionária abriram fogo contra dois petroleiros de bandeira indiana que tentavam atravessar o estreito, em uma ação que forçou outras embarcações a darem meia-volta.
Em comunicado oficial, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica alertou que “nenhuma embarcação deve se mover de sua ancoragem no Golfo Pérsico ou no Mar de Omã”, acrescentando que “a aproximação ao Estreito de Ormuz será considerada cooperação com o inimigo, e a embarcação infratora será alvejada”. A agência britânica de segurança marítima UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations) confirmou ter recebido relatos de que dois barcos da IRGC se aproximaram de um petroleiro cerca de 37 quilômetros a nordeste de Omã, sem qualquer advertência por rádio, e em seguida abriram fogo contra a embarcação. A tripulação e o navio foram reportados como estando em segurança. A UKMTO informou ainda que um segundo incidente foi registrado no mesmo dia, com um navio porta-contêineres sendo atingido por um projétil de origem desconhecida na mesma região, danificando parte da carga.
Ato de força iraniano. O fechamento do estreito representa uma reviravolta brusca na postura adotada por Teerã na sexta-feira (17). Na ocasião, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, havia declarado que a rota marítima estava “completamente aberta” à navegação comercial, em linha com o cessar-fogo de dez dias firmado entre Israel e o Hezbollah no Líbano, um dos pontos centrais nas negociações de paz patrocinadas pelos EUA. No entanto, a manutenção do bloqueio naval imposto por Trump na semana anterior, que já havia obrigado 23 navios a desviarem sua rota, foi considerada por Teerã uma violação dos entendimentos preliminares, motivando a retomada do controle rígido sobre a passagem. O comando militar conjunto do Irã declarou que “o controle do Estreito de Ormuz retornou ao seu estado anterior, sob gestão e controle rigorosos das forças armadas”, condição que será mantida enquanto durarem as restrições americanas.
Embarcações atingidas e impacto no tráfego marítimo. Os ataques provocaram reações imediatas na comunidade marítima internacional. Dados de monitoramento de navios indicaram que pelo menos duas embarcações indianas foram forçadas a reverter o curso. Entre elas, um superpetroleiro VLCC (Very Large Crude Carrier) de bandeira indiana que transportava 2 milhões de barris de petróleo bruto iraquiano. O serviço de rastreamento TankerTrackers.com informou que os navios receberam ordens via rádio para se retirarem da área, sob risco de novos disparos. A Índia convocou o embaixador iraniano em Nova Déli para expressar “profunda preocupação” e exigir a retomada imediata da passagem segura para suas embarcações.
O Estreito de Ormuz, por onde escoam cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito consumidos globalmente, é considerado o ponto de estrangulamento mais sensível do comércio energético mundial. O seu fechamento, que já dura quase dois meses, elevou os preços dos combustíveis e gerou uma crise energética de proporções históricas. Apesar do bloqueio, fontes de navegação relataram que oito petroleiros conseguiram atravessar o estreito ainda na manhã de sábado, antes da imposição das novas restrições, marcando o primeiro movimento significativo desde o início do conflito. Em contrapartida, cerca de 20 embarcações que aguardavam para cruzar a via foram obrigadas a retornar em direção a Omã.
Reação de Trump e impasse diplomático. O presidente Donald Trump, em evento na Casa Branca ainda no sábado, respondeu à altura às ações iranianas. Afirmou que o Irã “está fazendo graça” e que não conseguirá “nos chantagear”, referindo-se às ameaças de fechamento da rota. Trump disse ainda que as conversas com Teerã continuam “muito boas” e que estão “indo muito bem”, ao mesmo tempo em que descartou qualquer possibilidade de negociação sobre a cobrança de pedágios para a passagem de navios. “Não. De jeito nenhum. Eles não vão impor pedágios”, declarou o presidente. Paralelamente, a administração americana prepara uma escalada significativa no mar: o governo estuda abordar e apreender navios petroleiros e comerciais ligados ao Irã em águas internacionais, em uma estratégia batizada de “Fúria Econômica”, que pode se estender para além do Oriente Médio.
O alto escalão iraniano, por sua vez, desferiu um duro golpe retórico ao presidente americano. A Guarda Revolucionária afirmou, por meio de seus canais oficiais, que “o que Donald Trump falar sobre o Estreito de Ormuz não tem validade”, esvaziando qualquer declaração da Casa Branca sobre a liberdade de navegação na região. O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em mensagem pelo Dia do Exército, declarou que as forças navais iranianas estão prontas para fazer “os inimigos provarem o gosto de novas derrotas”. Contudo, a mesma mensagem não fez menção direta ao estreito ou às negociações com os EUA, em um sinal de que Teerã ainda avalia os próximos passos na crise.
Janela diplomática ainda aberta. Apesar da escalada militar e retórica, fontes de ambos os lados indicam que as negociações de paz não estão enterradas. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que novas propostas foram apresentadas pelos Estados Unidos, e que o país está “atualmente analisando” os termos antes de dar uma resposta definitiva. O chefe do exército paquistanês, Asim Munir, que encerrou uma visita de três dias a Teerã, atuou como intermediário, transmitindo as ofertas americanas. Trump também sinalizou otimismo: “Estamos tendo conversas muito boas. Está indo muito bem”, disse, enquanto o Irã mantém a porta aberta para um possível acordo que envolva a liberação de recursos iranianos congelados no exterior em troca do controle do programa nuclear.
A seguir, os principais desdobramentos da crise até o momento:
Com informações de G1, BBC News Brasil, CNN Brasil, Veja, The Guardian, Inquirer.net, New York Post, Deutsche Welle, The Hindu, Syrian Arab News Agency (SANA), Saudi Gazette, Kyiv Independent, The Indian Express, The New Arab ■