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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou um dos episódios mais duros de sua relação com o Congresso Nacional ao afirmar, na presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que a atual legislatura “nunca teve a qualidade de baixo nível como tem agora” e que “aquela extrema-direita que se elegeu em 2022 é o que existe de pior”. A declaração foi dada durante evento de comemoração ao Dia do Professor, no Rio de Janeiro, e rapidamente ganhou os principais veículos de imprensa e as redes sociais.
A fala do petista teve forte repercussão e foi interpretada por setores da oposição como uma “humilhação” ao Parlamento. Parlamentares ouvidos pela imprensa classificaram o episódio como “uma humilhação ao Congresso” e acusaram Lula de desrespeitar a independência dos Poderes. Ainda assim, o presidente da Câmara, Hugo Motta, minimizou o impacto em entrevista à GloboNews, afirmando que a crítica parece ter sido direcionada especificamente à extrema direita, e não ao Congresso como um todo. “Quando o presidente se referiu ao Congresso, acredito que sua crítica tenha sido mais direcionada à extrema direita. Se, no entanto, ele quis se referir ao Congresso como um todo, discordo plenamente”, ponderou Motta.
Desespero da Globo e defesa do Centrão
A reação da imprensa tradicional, especialmente da Rede Globo, não demorou a acontecer. No dia 3 de julho de 2025, o Jornal Nacional dedicou quase sete minutos de seu telejornal para sair em defesa do Congresso Nacional, após uma série de campanhas nas redes sociais que criticavam a atuação de parlamentares alinhados ao Centrão. Sob o pretexto de combater “ataques com uso de inteligência artificial”, a emissora blindou o presidente da Câmara, Hugo Motta, e outros deputados que atuaram para derrubar o aumento do IOF, medida defendida pelo governo como forma de justiça tributária.
Em editorial publicado no jornal O Globo, intitulado “Ataques ao Congresso são inaceitáveis”, o grupo Globo rejeitou as pressões populares por mudanças estruturais no sistema de arrecadação e alinhou-se aos interesses do Centrão e de setores econômicos de alta renda. A publicação classificou como “perturbador” o uso de termos como “inimigo do povo” para se referir ao Parlamento, mas omitiu que a mesma expressão foi amplamente empregada por políticos de direita, como Donald Trump, para deslegitimar adversários e a imprensa.
A atitude da emissora gerou forte reação nas redes sociais e em sites alternativos. O portal “Diário do Centro do Mundo” afirmou que a Globo “blindou os poderosos e tentou desviar o foco das redes sociais, em que milhões de brasileiros denunciam o abismo entre ricos e pobres”. Já o site “O Cafezinho” destacou que a emissora “escancara defesa do Centrão e parte para guerra contra o governo Lula”. A colunista da CartaCapital, Eliara Santana, foi ainda mais incisiva: “As Organizações Globo não gostam de Lula, e não o querem Lula reeleito em 2026 — fato”.
Pesquisas apontam virada no primeiro turno
Paralelamente ao embate político, novos levantamentos eleitorais indicam uma mudança significativa no cenário para 2026. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de abril de 2026 mostra o presidente Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Apesar da liderança, a vantagem do petista encolheu em relação a pesquisas anteriores, e o dado mais relevante surge no segundo turno: pela primeira vez, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula, com 42% contra 40%, configurando uma virada no cenário final.
Outro levantamento, do instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado em fevereiro de 2026, mostrou que Lula caiu 3,8 pontos percentuais no primeiro turno, enquanto Flávio cresceu 2,9 pontos no mesmo período, confirmando a tendência de aproximação. A pesquisa CNT/MDA, por sua vez, divulgada em abril de 2026, ainda aponta Lula à frente no primeiro turno (39,2% contra 30,2% de Flávio), mas o cenário de segundo turno também apresenta empate técnico, com o petista tendo 44,9% e o senador 40,2%.
Para analistas políticos, a soma desses fatores — o discurso incisivo de Lula contra o Congresso, a reação desesperada da grande mídia e a aproximação numérica nas pesquisas — indica que a disputa de 2026 será marcada por uma polarização extrema. A avaliação é que, se mantido o ritmo de crescimento de Flávio Bolsonaro, a possibilidade de uma virada ainda no primeiro turno não pode ser descartada, especialmente se o ex-presidente Jair Bolsonaro (inelegível) continuar a articular nos bastidores.
Reações e desdobramentos
A oposição classificou as declarações de Lula como “ofensivas e desrespeitosas ao Legislativo”, enquanto a base aliada saiu em defesa do presidente, afirmando que sua avaliação reflete a real qualidade da atual composição do Congresso. O próprio Hugo Motta, apesar do desconforto, evitou um confronto direto e afirmou que “temos que ter muita tranquilidade e equilíbrio para não entrar em narrativas de um extremo ou de outro”.
Nos bastidores, parlamentares da oposição acusaram Lula de “provocar propositalmente os deputados e senadores” e de usar o discurso para fins eleitorais. Já lideranças do PT e de partidos de esquerda comemoraram a ofensiva do presidente, avaliando que ela ajuda a mobilizar a base e a expor o que chamam de “entrincheiramento da direita no Parlamento”.
Com informações de Diário do Grande ABC, A TARDE, Band.com.br, CartaCapital, Revista Fórum, CBN Globo, Folha de S.Paulo, Diário do Centro do Mundo, O Cafezinho, Brasil 247, Blog do Esmael, Conversa Afiada, Tijolaço, Miguel do Rosário, D Marília, Jornal O Franco, Jornal de Brasília, Pensar Piauí, Olhar do Vale, InfoMoney, JC UOL, O Povo, Veja, Bahia Notícias, Diário do Pará, CNN Brasil, Gazeta do Povo, Rondônia Notícias, Misto Brasil, Diário do Estado GO, Jornal Opção, Política e Resenha ■