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Soldado francês da ONU é morto em emboscada no Líbano
Ataque a patrulha de paz da Unifil no sul do país deixa três feridos; França acusa Hezbollah, que nega envolvimento, e tensões regionais se elevam
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 19/04/2026

Um soldado francês da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) foi morto e outros três ficaram feridos neste sábado (18) em uma emboscada no sul do Líbano, informaram autoridades francesas e da ONU. O ataque ocorreu na vila de Ghandouriyeh, na região de Bint Jbeil, quando a patrulha removia artefatos explosivos de uma estrada para restabelecer a comunicação com posições isoladas da missão de paz.

O presidente francês, Emmanuel Macron, identificou a vítima como o sargento-chefe Florian Montorio, do 17º Regimento de Engenheiros Paraquedistas de Montauban, no sudoeste da França. O militar, de 40 anos, deixa companheira e dois filhos. Segundo a ministra das Forças Armadas da França, Catherine Vautrin, Montorio foi atingido por um “tiro direto de arma leve” durante uma missão de abertura de itinerário rumo a um posto da Unifil que estava isolado há vários dias por conta dos combates na região. O grupo foi emboscado a “curtíssima distância” por um grupo armado. Ferido, o sargento foi socorrido sob fogo pelos companheiros, mas não resistiu.

Dos três soldados feridos, dois estão em estado grave e foram transferidos para um hospital em Beirute, enquanto o terceiro recebeu atendimento em uma unidade de saúde no sul do Líbano.

Acusação da França e reação do Hezbollah
Macron atribuiu a responsabilidade do ataque ao Hezbollah, grupo político e militar xiita libanês apoiado pelo Irã. “Tudo leva a crer que a responsabilidade por esse ataque recai sobre o Hezbollah. A França exige que as autoridades libanesas prendam imediatamente os culpados e assumam suas responsabilidades ao lado da Unifil”, declarou o presidente francês na rede social X. O presidente também conversou por telefone com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e com o primeiro-ministro, Nawaf Salam, pedindo que garantam a segurança dos soldados da Unifil.

O Hezbollah negou veementemente qualquer envolvimento no incidente. Em comunicado, o grupo afirmou que “nega qualquer ligação com o incidente ocorrido com as forças da Unifil na área de Ghandouriyeh-Bint Jbeil” e pediu cautela na atribuição de culpas, sugerindo que as investigações do exército libanês devem ser aguardadas antes de qualquer conclusão. O grupo também manifestou surpresa com o que chamou de “acusações precipitadas”, apontando que alguns envolvidos no conflito permanecem em silêncio quando as forças da ONU são atacadas por Israel.

Condenações internacionais e investigação
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou “veementemente” o ataque e enviou condolências à família do soldado morto, desejando rápida recuperação aos feridos. Guterres destacou que este é o terceiro incidente em semanas que resulta na morte de capacetes azuis no Líbano e pediu que todas as partes respeitem o cessar-fogo e a cessação das hostilidades.

A Unifil classificou o ataque como “deliberado” e afirmou que suas avaliações iniciais indicam que os disparos partiram de “atores não estatais”, o que reforça a suspeita de autoria do Hezbollah. A missão de paz lembrou que ataques deliberados contra forças da ONU constituem “graves violações do direito internacional humanitário” e podem ser considerados crimes de guerra.

As autoridades libanesas também reagiram. O presidente Joseph Aoun condenou o “ataque seletivo” e prometeu levar os responsáveis à justiça, enquanto o primeiro-ministro Nawaf Salam ordenou uma “investigação imediata” e afirmou que dará “instruções rigorosas” para apurar as circunstâncias do ataque. O Tribunal Militar do Líbano já abriu uma investigação sobre o caso e está em contato com os serviços de inteligência do exército.

Contexto de tensão na região
O ataque ocorre em meio a um frágil cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Hezbollah, que entrou em vigor em 16 de abril, após semanas de intensos combates. O conflito mais recente teve início em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em resposta a ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Desde então, a região sul do Líbano tem sido palco de confrontos frequentes, com relatos de mais de 2.200 mortos e mais de um milhão de deslocados.

A morte do sargento Montorio é o segundo óbito de um soldado francês no Oriente Médio em pouco mais de um mês. Em 12 de março, o suboficial Arnaud Frion foi morto em um ataque com drones no Curdistão iraquiano, também atribuído pela França a milícias pró-Irã.

O general Dominique Trinquand, ex-chefe da missão militar francesa junto à ONU, afirmou que o Hezbollah “não tem interesse em ver capacetes azuis interferindo nos combates” contra Israel, mas que a situação demonstra a continuidade dos combates no sul do Líbano e os riscos inerentes à missão de interposição.

Repercussão e solidariedade internacional
O governo espanhol manifestou pesar pela morte do soldado francês. “Nosso pêsame às Forças Armadas francesas pelo falecimento de um de seus desdobrados no Líbano e nosso desejo de pronta recuperação aos feridos”, publicou o Ministério da Defesa da Espanha.

A Unifil, criada em 1978 pelo Conselho de Segurança da ONU e ampliada após a guerra de 2006 com a Resolução 1701, tem o mandato de monitorar o cessar-fogo entre Israel e Líbano, auxiliar o governo libanês e garantir a segurança na região da Linha Azul, a fronteira de fato entre os dois países. Mais de 330 capacetes azuis já morreram desde o início da missão, em meio a sucessivas crises e violações do cessar-fogo.

Com informações de UOL, RFI, BBC News, Associated Press, Agence France-Presse, Reuters, Xinhua News, Anadolu Ajans?, El País, RTVE, France 24, La Vanguardia, El Nacional, La Nuova Sardegna, Quotidiano Nazionale, CNN Brasil, G1, RTP, SIC Notícias, GaúchaZH, R7, 20 Minutes, Franceinfo, Dawn, The Canadian Press, New Straits Times, Vietnam.vn, Arab News JP, ETV Bharat, Latinus, Infobae, 20minutos, Swissinfo, El Correo Gallego, Yahoo Notícias, Perfil, Bluewin, Ouest-France, Lesoir, Radio France, e TVA Nouvelles ■

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