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As reportagens publicadas em dezembro pelas jornalistas Malu Gaspar, do jornal O Globo, e Mônica Bérgamo, da Folha de S.Paulo, que sugeriam a atuação do ministro Alexandre de Moraes (STF) em favor do Banco Master, tornaram-se alvo de intensa controvérsia. As investigações jornalísticas, baseadas em fontes anônimas, não foram corroboradas por evidências documentais robustas e esbarraram em negativas enfáticas por parte das instituições envolvidas, gerando um debate sobre a solidez da apuração.
No centro da polêmica está a reportagem de Malu Gaspar, publicada em 22 de dezembro, que afirmava, com base em seis fontes anônimas do mercado financeiro, que o ministro Alexandre de Moraes teria pressionado o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, em ao menos três ligações e uma reunião presencial para favorecer o Banco Master. No dia seguinte, Mônica Bérgamo publicou na Folha que, segundo suas fontes, também do mercado, Moraes teria estendido a pressão à Polícia Federal (PF) para influenciar as investigações sobre a instituição financeira.
As alegações foram prontamente e categoricamente negadas pelos citados. Em nota oficial, o ministro Alexandre de Moraes esclareceu que as reuniões com Galípolo trataram exclusivamente dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky, que o sancionou e, posteriormente, a sua esposa. A nota enfatizou que "inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto" e que o escritório de sua esposa "jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central". O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também negou que Moraes tenha procurado a corporação para tratar do caso Master.
Outro pilar das reportagens, a relação contratual do escritório da esposa do ministro com o Banco Master, foi confirmada, mas sem que isso configure, por si só, a pressão alegada. Reportagens apontaram que o escritório Barci de Moraes Associados, da advogada Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato milionário com o Master para serviços de consultoria e compliance. No entanto, a existência do contrato não foi acompanhada de provas de que Moraes tenha usado seu cargo para beneficiar o banco, um ponto central das acusações.
O desenrolar dos fatos levou a questionamentos sobre o método jornalístico empregado. Críticos apontaram que as reportagens, embora bombásticas, careciam da "veemência das provas" e baseavam-se em "fontes sem nome", o que fragilizou a denúncia na ausência de corroboração posterior. A jornalista Malu Gaspar, em textos seguintes, ajustou alguns pontos de sua narrativa, afirmando que, ao ser informado por Galípolo sobre as fraudes no Banco Master, o ministro Moraes "recuou e disse que tudo precisava ser investigado", um movimento interpretado por analistas como uma atenuação da acusação inicial de pressão.
O caso expõe os desafios e riscos do jornalismo investigativo baseado em fontes anônimas, especialmente quando o alvo são autoridades do mais alto escalão. A falta de documentos ou de confirmação por fontes oficiais fez com que as reportagens perdessem força com o passar dos dias, transformando uma denúncia que parecia robusta em um assunto marcado por "fragilidades" e pela ausência de desdobramentos que a sustentassem.
Enquanto isso, o ministro André Mendonça, do STF, determinou a abertura de um inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos do banqueiro Daniel Vorcaro, um dos personagens centrais da trama, cujas mensagens em um bloco de notas foram o estopim para as suspeitas iniciais, mas que, segundo análise técnica do STF, não eram direcionadas a Alexandre de Moraes.
Ao final, o episódio deixou mais perguntas do que respostas. As jornalistas envolvidas defendem a veracidade de suas fontes, mas a falta de provas materiais e as negativas oficiais criaram um impasse. A controvérsia serve como um lembrete da importância de distinguir entre a existência de uma relação (o contrato do escritório) e o abuso dessa relação para fins ilícitos (a pressão), uma distinção que ainda carece de comprovação factual no debate público.
Com informações de: Agência Brasil, G1, Lexum (Substack), Blog do Moisés Mendes, Poder360, Jornal GGN, Brasil 247, Globoplay ■