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A recente divulgação de um relatório do Congresso dos Estados Unidos, acusando o Brasil de abrigar uma suposta base militar secreta da China em Salvador, desencadeou um fenômeno revelador no jornalismo brasileiro: a imediata e intensa pressão por esclarecimentos oficiais. Enquanto entidades e empresas citadas negaram veementemente qualquer caráter militar na parceria, a grande imprensa passou a "forçar" explicações do governo federal, reproduzindo acusações sem lastro probatório e tratando como suspeita a cooperação espacial civil entre Brasil e China.
O contraste com a cobertura de um episódio muito mais grave — a invasão militar dos EUA à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, em janeiro de 2026 — expõe o viés editorial. Na ocasião, críticos apontaram que parte da mídia brasileira, a exemplo do Grupo Globo, utilizou termos como "ação" ou "operação" para descrever o que constituiu uma clara violação da soberania venezuelana, evitando palavras como "invasão" ou "sequestro". Enquanto analistas do Brasil de Fato denunciavam a "normalização" da agressão imperialista, a grande imprensa agora se volta contra o próprio país, cobrando satisfações a Brasília com base em um relatório que, segundo especialistas, beira o absurdo. O coordenador do Lapis da Universidade Federal de Alagoas, Humberto Barbosa, classificou a denúncia como "uma piada", afirmando que "não imagino um chinês colocando sua tecnologia, principalmente na área militar, em uma área tão vulnerável como o Brasil".
A prática atual da imprensa revela um padrão de conluio com os interesses do império norte-americano. Vejamos os principais pontos dessa atuação:
Ao forçar explicações do governo federal sobre uma acusação sem provas, enquanto normalizou a agressão direta a um país soberano, a grande imprensa brasileira demonstra não apenas incoerência editorial, mas uma clara subserviência aos ditames de Washington. O episódio expõe o papel de muitos veículos como caixa de ressonância das acusações do império, ainda que para isso tenham que desconsiderar os esclarecimentos das empresas envolvidas, as opiniões de especialistas e, acima de tudo, a soberania nacional.
A pergunta que fica é a mesma levantada por Mabel Dias no Brasil de Fato após a invasão à Venezuela: "Se amanhã o governo Trump ordenar um ataque ao Brasil, qual será a narrativa da nossa imprensa?". A resposta, pelo visto, já estamos começando a ver.
Com informações de O Globo, UOL, Veja, Piauí Hoje, Brasil de Fato (via 163.com), É Notícias ■