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As recentes investidas do governo norte-americano contra o BRICS, materializadas em ameaças de tarifas punitivas e pressões diplomáticas sobre seus membros, transcendem o tom de simples "reclamação" e configuram-se como uma estratégia explícita de contenção geopolítica. Ao classificar o bloco como uma ameaça à sua hegemonia, Washington expõe um interesse direto em fragilizar a coesão do grupo, que hoje representa cerca de 40% da economia global e reúne nações que buscam alternativas à ordem unipolar.
A principal linha de ataque tem sido a preservação da supremacia do dólar. O presidente dos EUA, Donald Trump, emitiu ultimatos exigindo que os membros do BRICS se comprometam a não criar ou apoiar qualquer moeda que possa substituir a divisa americana, sob pena de sofrerem tarifas de 100% sobre suas exportações. A mensagem, divulgada em suas redes sociais, foi clara: qualquer país que "ousar" buscar alternativas ao dólar "deve dizer adeus à economia americana". Esta postura, no entanto, ignora o fato de que a discussão interna do bloco sobre o uso de moedas locais nas trocas comerciais é, em grande medida, uma resposta à própria "armamentização" do dólar por parte de Washington, como forma de impor sanções unilaterais a nações como a Rússia.
Especialistas apontam que a hostilidade dos EUA e seus aliados é o principal desafio externo enfrentado pelo BRICS. Um relatório de especialistas obtido pela agência TASS destaca que o Ocidente vê o sucesso do bloco como uma ameaça direta à sua dominação, resultando em pressão por sanções e uma campanha de informação para desacreditá-lo como um bloco "anti-Ocidental". O analista político iraniano Rouhollah Modabber sintetiza essa visão ao afirmar que as potências ocidentais nunca demonstraram disposição para "permitir a criação e o crescimento de instituições independentes fora de sua esfera de dominação unilateral".
As pressões não se limitam ao campo financeiro. A realização dos exercícios navais "Will for Peace 2026" na África do Sul, envolvendo China, Rússia e outros membros, tornou-se um palco explícito da fragilização promovida por Washington. Os EUA exerceram forte pressão sobre o governo sul-africano para que o Irã, também membro do BRICS, fosse impedido de participar ativamente das manobras.
Sob a ameaça direta de tarifas de 25% sobre todo o comércio com os Estados Unidos, a África do Sul cedeu e solicitou que os navios iranianos se retirassem, rebaixando Teerã à condição de mero observador. O episódio revela como a vulnerabilidade econômica de membros individuais pode ser explorada para minar a solidariedade interna do bloco. Sobre o episódio, vale destacar:
A análise do contexto sugere que o objetivo final das pressões vai além da mera defesa comercial. Ao forçar países como a África do Sul a escolher entre sua aliança no BRICS e seus interesses econômicos bilaterais com os EUA, Washington semeia a discórdia e expõe as fraturas internas do grupo. A abordagem é vista por analistas do Sul Global como parte de uma estratégia imperial mais ampla, que inclui intervenções e coerções econômicas para manter a influência sobre nações em desenvolvimento. Trata-se, portanto, de um movimento calculado para impedir que o BRICS se consolide como um polo de poder capaz de reformular a governança global, mantendo a lógica de subordinação que beneficia os interesses americanos de longo prazo.
Com informações de New Age BD, TASS, News of Bahrain, China-US Focus, The Chosun Daily, Associated Press (via Barchart), Times Now, Geelong Advertiser ■