Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Da lama ao caos: o alinhamento entre a direita e a imprensa
Enquanto Zema e Nikolas adotam discurso de abandono federal, análise da imprensa aproxima o caos econômico das tensões no Golfo Pérsico; tragédia mineira expõe múltiplas narrativas
Analise
Foto: https://s2-extra.glbimg.com/qALrDNTF58s9qa0YrIVb4qWaOnQ=/0x0:1271x714/888x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f551ea7087a47f39ead75f64041559a/internal_photos/bs/2025/f/s/aOyl2aR1adsKLETgmHkA/captura-de-tela-2025-09-01-170639.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 03/03/2026

A devastação causada pelas chuvas na Zona da Mata Mineira, que já deixou mais de 70 mortos e milhares de desabrigados, não se limita aos estragos físicos. O desastre escancarou uma "dinâmica do caos" onde diferentes atores políticos e midiáticos constroem narrativas paralelas para explicar a tragédia e atribuir responsabilidades. De um lado, a direita liderada por Romeu Zema (Novo) e Nikolas Ferreira (PL) adota o tom de abandono por parte do Governo Federal. De outro, a grande imprensa começa a traçar conexões entre a instabilidade econômica global e os conflitos geopolíticos, como a guerra no Golfo Pérsico, para contextualizar a crise.

O governador Romeu Zema, ao responder às críticas do presidente Lula, que apontou a falta de projetos do estado para acessar R$ 3,5 bilhões do Novo PAC, rebateu acusando o governo federal de "espalhar fake news" e de politizar o luto das vítimas. Em suas redes, Zema afirmou que herdou projetos paralisados da gestão petista e que o governo federal teria liberado apenas 3% dos R$ 9 bilhões solicitados por Minas. O discurso, alinhado à narrativa de "abandono", foi reforçado pela presença do deputado Nikolas Ferreira em Ubá, onde acabou hostilizado por moradores que o acusaram de atrapalhar o resgate para gravar vídeos.

Paralelamente à disputa política, a cobertura da imprensa sobre a tragédia mineira começa a se entrelaçar com uma análise macroeconômica e geopolítica. Editorialistas e analistas econômicos apontam que o "caos" não é apenas climático, mas também reflexo de um cenário global tenso. As enchentes em Minas atingem um dos polos industriais e logísticos do país justamente em um momento de instabilidade no preço do petróleo, agravada pelos conflitos no Golfo Pérsico. Essa conjuntura internacional, segundo analistas, pressiona a inflação, encarece o custo da reconstrução e limita a capacidade de investimento do estado, criando um ciclo vicioso de vulnerabilidade.

A tentativa de Zema de transferir a culpa para a União, no entanto, contrasta com os dados de seu próprio orçamento. Levantamentos da imprensa, repercutidos por veículos como o Diário do Centro do Mundo e o ClimaInfo, mostram que o governo estadual reduziu em 96% as verbas destinadas à prevenção de desastres entre 2023 e 2025, caindo de R$ 134,8 milhões para apenas R$ 5,8 milhões.

Para especialistas ouvidos pela imprensa, a combinação de fatores é explosiva:

  • Negligência estadual: O corte drástico em prevenção, classificado pela deputada estadual Andreia de Jesus (PT) como "um projeto para matar pobres" e um reflexo do negacionismo climático.
  • Contexto geopolítico: A guerra no Golfo Pérsico e a consequente alta do petróleo agravam a inflação e os custos de logística e reconstrução, tornando a recuperação mais lenta e cara [Contexto da imprensa].
  • Ausência de planejamento: A falta de adaptação das cidades, que empurra a população mais pobre para áreas de risco, é um problema histórico que nenhuma das esferas de governo resolveu de forma estrutural.

A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria Geral da República (PGR) contra Nikolas Ferreira, sob a acusação de que o deputado atrapalhou os serviços de socorro em Ubá. Enquanto isso, o presidente Lula visitou a região e prometeu ajuda federal direta aos municípios, criando um escritório de resposta em Juiz de Fora.

Em meio à lama, o que se vê é a consolidação de uma "dinâmica do caos": enquanto a direita explora o discurso do abandono para ganhos políticos imediatos, a imprensa aprofunda a análise conectando a tragédia local a um cenário global de instabilidade, deixando evidente que a população desassistida é a principal refém do pânico instaurado por essa confluência de crises.

Com informações de Metrópoles, Diário do Centro do Mundo, Belford Roxo 24h, ClimaInfo, Mídia NINJA ■

Mais Notícias