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Ataques travam rotas de petróleo e disparam preços
Estreito de Ormuz tem tráfego suspenso e barril do Brent ultrapassa US$ 80 com escalada militar no Oriente Médio
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 02/03/2026

O preço do petróleo disparou neste domingo (1º) após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% de todo o fornecimento global da commodity. O barril do tipo Brent, referência internacional, abriu as negociações com alta de 13% e era negociado a aproximadamente US$ 79,48, o maior patamar desde junho de 2025.

O estreito, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã e controlado pelo Irã em sua margem norte, foi fechado por questões de segurança após o início da ofensiva no sábado (28). A interrupção na passagem de navios-petroleiros provocou uma paralisação imediata no escoamento da produção de países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Dados de rastreamento marítimo indicam que mais de 200 embarcações — incluindo petroleiros e navios de gás natural — ancoraram nas proximidades do estreito ou aguardam em águas abertas uma solução para a crise. De acordo com a agência Reuters, pelo menos 150 petroleiros estão parados somente no Golfo Pérsico.

Em resposta à instabilidade no abastecimento, a Opep+ — grupo que reúne países exportadores de petróleo liderados pela Arábia Saudita e pela Rússia — anunciou neste domingo um aumento na produção de 206 mil barris por dia a partir de abril de 2026. O montante, no entanto, representa menos de 0,2% da oferta global e é considerado insuficiente por analistas para compensar uma interrupção prolongada no fluxo do Estreito de Ormuz.

Os efeitos imediatos do conflito sobre o transporte marítimo incluem:

  • Suspensão da navegação por grandes transportadoras, como CMA CGM, Hapag-Lloyd, Mitsui OSK Lines e NYK Lines, que ordenaram que seus navios evitem a região;
  • Cancelamento de apólices de seguro para embarcações que transitam pelo Golfo Pérsico e pelo estreito, com preços previstos para subir até 50% nos próximos dias, segundo o Financial Times;
  • Ataques a petroleiros neste domingo, incluindo uma embarcação de bandeira de Palau atingida por projétil perto da costa de Omã, com quatro feridos, e o navio MKD Vyon (bandeira das Ilhas Marshall) também bombardeado na região.

Especialistas consultados por instituições financeiras projetam que os preços podem superar os US$ 100 por barril caso o fechamento do estreito se prolongue. O banco Barclays elevou sua previsão para o Brent de US$ 80 para US$ 100, enquanto analistas do Citigroup estimam negociações na faixa de US$ 80 a US$ 90 ao longo da semana. A consultoria Rystad Energy calcula que, mesmo com o desvio de parte dos fluxos para oleodutos alternativos na Arábia Saudita e em Abu Dhabi, o impacto líquido seria uma perda de 8 a 10 milhões de barris por dia no abastecimento global.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, recomendou que as companhias evitem a região, enquanto seguradoras de risco de guerra já notificaram armadores sobre o cancelamento de coberturas.

Com informações de Agência Brasil, G1, Folha de S.Paulo, UOL, Reuters, SIC Notícias, Financial Times, MarineTraffic ■

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