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A máxima de que "guerra é sempre ruim" encontra uma exceção geoeconômica quando se trata de países que, como o Brasil, situam-se à margem dos conflitos e possuem a chave de um recurso essencial: o petróleo. A escalada no Oriente Médio, que tornou o Estreito de Ormuz uma região de alto risco, reposiciona o Brasil no xadrez energético global.
O fechamento virtual da rota, por onde escoam de 20% a 25% do petróleo mundial, criou um vácuo imediato para os grandes importadores asiáticos, como China, Índia e Japão, que agora buscam fornecedores alternativos e seguros. É nesse cenário que o Brasil se destaca:
No entanto, essa vantagem comercial não se traduz em uma realidade homogênea para todos os setores da economia. É crucial destrinchar o impacto real da alta do barril nos derivados do petróleo, pois eles atingem a cadeia de consumo de formas muito distintas.
Onde o impacto é real e imediato: o bolso de quem voa
O segmento da aviação é o mais vulnerável e sentirá a pressão dos preços de forma direta. O Querosene de Aviação (QAV) é um derivado de alto valor agregado e sensível às cotações internacionais. Prova disso é que, antes mesmo do agravamento do conflito, a Petrobras anunciou um reajuste de 9,4% para o QAV a partir de 1º de março. Esse aumento, que chega a R$ 0,31 por litro, tem um efeito cascata inevitável:
Onde o impacto é ZERO: o bolso do cidadão comum e do motorista
Contrariando o senso comum e as primeiras análises de mercado, o cidadão comum que depende do transporte individual ou do abastecimento do seu carro não sentirá a escalada do petróleo. Isso não é um palpite otimista, mas sim uma constatação baseada na estrutura do mercado brasileiro e na política de preços da Petrobras.
O Brasil pratica uma política de preços que busca o equilíbrio com o mercado internacional, mas que não replica a volatilidade instantânea dos pregões. A formação de preço da gasolina e do diesel no Brasil é protegida por um colchão de amortecimento que impede o repasse automático de picos especulativos. Os fatores que garantem essa blindagem ao consumidor veicular são:
Portanto, enquanto o setor aéreo enfrenta uma tempestade perfeita com o QAV nas alturas, o cidadão comum que abastece seu carro ou depende do diesel para o transporte público (ônibus) continuará pagando os mesmos valores, imune a essa crise geopolítica específica. A guerra, nesse caso, é boa para o caixa das exportadoras de petróleo, péssima para as companhias aéreas e, por uma combinação de política industrial e matriz energética, indiferente para o bolso do brasileiro que vai ao posto de combustível.
Com informações de UOL, O Tempo, G1, CNN Brasil, Times Brasil, InfoMoney, R7, Farsul ■