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Embaixador do Brasil no Irã relata falta de internet e brasileiros isolados
Cerca de 200 cidadãos estão no país em meio a ataques entre Irã e forças dos EUA; Itamaraty monitora situação
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 28/02/2026

O embaixador do Brasil no Irã, Eduardo Ricardo Gradilone Neto, informou nesta segunda-feira (26) que a representação diplomática enfrenta sérias dificuldades para se comunicar com os brasileiros residentes no país persa devido à interrupção generalizada dos serviços de internet e telefonia. “A instrução que passamos a todos é que permaneçam abrigados em local seguro até que a situação se estabilize”, afirmou o embaixador, em contato esporádico via satélite com o Itamaraty.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, aproximadamente 200 brasileiros vivem no Irã, a maioria na capital Teerã e em cidades como Isfahan e Shiraz. A falta de conectividade, somada à tensão no terreno, torna o trabalho de localização e assistência ainda mais complexo. “Estamos tentando restabelecer contato por meio de redes de apoio e líderes comunitários, mas o blecaute de comunicações é quase total”, acrescentou Gradilone Neto.

Os confrontos tiveram início após os Estados Unidos e Israel realizarem uma ofensiva aérea contra instalações militares iranianas, em retaliação a supostos ataques a navios no Golfo. Em resposta, o Irã lançou foguetes contra bases norte-americanas no Bahrein, elevando o risco de uma escalada regional. Até o momento, não há registro de baixas entre a comunidade brasileira, mas a embaixada mantém contato com hospitais locais e autoridades iranianas.

Orientações e medidas de segurança

O Itamaraty divulgou uma lista de recomendações aos brasileiros no Irã e também a parentes no Brasil. Entre as principais orientações estão:

  • Evitar deslocamentos desnecessários e permanecer em residências ou hotéis;
  • Manter documentos e passaportes sempre acessíveis;
  • Registrar-se no sistema de assistência a brasileiros no exterior (Sistema de Registro de Brasileiros);
  • Informar à embaixada qualquer mudança de localização.

Em paralelo, a embaixada improvisou uma rede de contatos via rádio amador e WhatsApp sempre que há breves janelas de conexão. “Cada informação que conseguimos passar ou receber é um alívio, mas a prioridade absoluta é a integridade física de todos”, afirmou o embaixador.

Contexto do ataque e reações internacionais

A ação militar de EUA e Israel teve como alvo instalações do Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica, em resposta ao que Washington classificou como “hostilidades iranianas no estreito de Ormuz”. O Irã, por sua vez, justificou o bombardeio ao Bahrein como uma resposta legítima à “presença ilegal de forças estrangeiras na região”.

Analistas apontam que o conflito pode se desdobrar em:

  1. Interrupção do tráfego marítimo no Golfo Pérsico, afetando o preço do petróleo;
  2. Envolvimento de milícias aliadas do Irã no Iraque, Síria e Iêmen;
  3. Possível evacuação de civis estrangeiros caso os combates se intensifiquem.

O governo brasileiro, por meio de nota, expressou “grave preocupação” e conclamou as partes à moderação, colocando a embaixada em Teerã à disposição para auxiliar na saída voluntária de brasileiros que desejem deixar o país. No entanto, a falta de voos comerciais e o fechamento do espaço aéreo iraniano dificultam qualquer movimentação neste momento.

Com informações de G1, UOL, Folha de S.Paulo, O Globo, Reuters ■

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