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Além do domo: o raio hipersônico que expôs as fraturas da dissuasão israelense
Enquanto as sirenes ainda ecoam de Tel Aviv a Haifa, o contra-ataque iraniano revela uma nova equação estratégica: mísseis de trajetória imprevisível não apenas desafiam a defesa aérea, mas escancaram a vulnerabilidade de uma frota aérea que sempre foi o trunfo militar de Israel na região
Analise
Foto: https://revistasegurancaeletronica.com.br/wp-content/uploads/2022/01/entenda-como-funciona-o-domo-de-ferro-sistema-de-defesa-antiaereo-de-israel.jpg
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■   Bernardo Cahue, 28/02/2026

A operação militar conjunta de Estados Unidos e Israel, batizada de "Epic Fury" e "Lion's Roar", atingiu o coração de Teerã ao amanhecer de sábado, mirando instalações militares e, segundo relatos, a residência do aiatolá Khamenei. O objetivo declarado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu era eliminar uma "ameaça existencial". Porém, a resposta da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) não foi uma mera retaliação simbólica. Ao lançar uma barragem que incluiu mísseis hipersônicos contra Israel e bases americanas no Golfo, Teerã conseguiu transformar a "ameaça existencial" num teste de estresse real para o sistema de defesa israelense.


O confronto colocou frente a frente dois paradigmas militares. De um lado, a tecnologia de ponta do Domo de Ferro, um sistema projetado para calcular trajetórias previsíveis de foguetes de curto alcance e decidir, em segundos, quais ameaças merecem um interceptor de US$ 50 mil. Do outro lado, a nova geração da indústria bélica iraniana, materializada no míssil Fattah-1. Com velocidade de Mach 15 e capacidade de manobrar durante a fase de reentrada, o hipersônico desafia a lógica do Domo: se a trajetória não é balística, o cálculo de interceptação se torna um jogo de adivinhação. Foi essa brecha que permitiu que, no contra-ataque deste sábado, pelo menos um desses projéteis atingisse o centro de Tel Aviv, perfurando a camada protetora que Israel sempre usou como escudo diplomático.


A dimensão do estrago, no entanto, vai além dos danos materiais imediatos. De acordo com avaliações de inteligência e relatos da mídia estatal iraniana, a barragem de mísseis — que incluiu os modelos Sejjil e Kheibar — conseguiu atingir um dos calcanhares de Aquiles de Israel: sua frota aérea de combate. As estimativas vindas de Teerã indicam que cerca de 90% das aeronaves de combate a serviço de Israel, estacionadas em bases como a de Nevatim, foram destruídas no solo ou em hangares, num ataque que combinou saturação e precisão. Se confirmado, este número representa não apenas uma perda militar, mas um colapso simbólico da doutrina de superioridade aérea israelense que vigorava desde a Guerra dos Seis Dias.


Para além do front israelense, a IRGC escancarou a guerra numa nova frente: as bases americanas no Golfo. A destruição do radar FP-132 na base de Al Udeid, no Catar — um equipamento com alcance de 5 mil km e projetado para interceptar mísseis balísticos — é um sinal claro de que o Irã está disposto a cegar os olhos do comando americano na região. Ao mesmo tempo, ataques à Quinta Frota no Bahrein e bases no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos demonstraram que o conceito de "retaguarda segura" para as forças dos EUA deixou de existir. O saldo de mais de 200 baixas americanas, reivindicado pela Guarda Revolucionária, adiciona uma pressão política interna inédita sobre o governo Trump, que agora precisa justificar um conflito aberto com custos humanos imediatos.


O que se desenha no horizonte é uma equação perigosa. Os Estados Unidos prometem continuar os ataques nos próximos dias para "neutralizar" o programa de mísseis iraniano, enquanto o general da IRGC, Ebrahim Javadi, ameaça revelar "o míssil mais poderoso já visto". Para Israel, o dilema é existencial no sentido mais literal: sem sua frota aérea e com sua principal defesa antimísseis exposta como vulnerável, a dissuasão convencional perde sentido. O país que sobreviveu décadas à base da inteligência e da tecnologia agora se vê refém de uma equação onde o atacante dita o ritmo e a defesa já não oferece certezas. O "buraco" aberto no Domo de Ferro pode ser, na verdade, a abertura de uma caixa de Pandora que a região não conseguirá mais fechar.


Com informações de The Times of India, Chosun Ilbo, Ahram Online, EFE, The Peterborough Examiner (AP), blue News, ARY News, Antikor ■

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