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Paquistão entra em guerra contra Afeganistão
Após ataque a posto militar, premiê paquistanês promete "confronto total" e analistas temem escalada regional
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 27/02/2026

O Paquistão anunciou nesta sexta-feira que está em "estado de guerra aberta" com o Afeganistão, elevando ao máximo a retórica bélica após uma série de incidentes na fronteira porosa entre os dois países. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou em pronunciamento oficial: "Não recuaremos diante de nenhum passo para defender nossa soberania. Estamos prontos para um confronto total." A declaração ocorreu horas depois de um ataque reivindicado por grupos armados que operam a partir do território afegão ter matado 16 soldados paquistaneses na região do Waziristão.

As relações entre os vizinhos, historicamente marcadas por desconfiança, atingiram o ponto mais crítico desde a retirada das forças da OTAN do Afeganistão, em 2021. Islamabad acusa Cabul de abrigar e apoiar militantes do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP) — grupo conhecido como Talibã paquistanês — que intensificaram ataques contra postos de segurança e alvos civis nos últimos meses. O governo afegão, controlado pelo Talibã desde agosto de 2021, nega as acusações e afirma que não permite que seu solo seja usado contra nenhum país.

Especialistas apontam que a escalada atual tem raízes profundas e pode desestabilizar ainda mais a região. Entre os fatores que levaram à crise estão:

  • Falha no diálogo: As rodadas de negociação entre Islamabad e os líderes do TTP, mediadas pelo Talibã afegão em 2022, não chegaram a um acordo duradouro.
  • Aumento de ataques transfronteiriços: Dados do exército paquistanês indicam que mais de 120 ataques foram lançados de dentro do Afeganistão apenas neste ano.
  • Construção de cercas e postos militares: O Paquistão acusa o Afeganistão de sabotar a linha de fronteira (a chamada Linha Durand) e de construir postos avançados em território paquistanês.
  • Pressão política interna: O governo de Sharif enfrenta críticas da oposição e da opinião pública por sua suposta "fraqueza" diante das incursões, o que o leva a adotar uma postura mais agressiva.

O Talibã afegão, por sua vez, convocou o embaixador paquistanês em Cabul para prestar esclarecimentos e emitiu uma nota oficial classificando as declarações de Sharif como "irresponsáveis". O porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, afirmou: "O Afeganistão não quer guerra com ninguém, mas responderá com força se sua integridade territorial for ameaçada." Enquanto isso, moradores das províncias fronteiriças de Khost e Paktia relatam movimentação intensa de tropas de ambos os lados e o fechamento de postos de comércio essenciais para a economia local.

Analistas internacionais alertam para o risco de um conflito generalizado, que poderia envolver outras potências regionais. As principais consequências imediatas observadas são:

  1. Refugiados: Mais de 10 mil famílias já deixaram áreas próximas à fronteira nos últimos dias, segundo a ONU.
  2. Interrupção do comércio: O fechamento da fronteira em Torkham e Chaman paralisa o fluxo de mercadorias, afetando especialmente o setor de alimentos perecíveis.
  3. Radicalização: Grupos extremistas podem se aproveitar do vácuo de segurança para recrutar e realizar atentados em ambos os países.
  4. Envolvimento de potências: China e Estados Unidos monitoram a crise de perto; Pequim teme pelos seus investimentos no corredor econômico China-Paquistão, enquanto Washington busca garantir que o Afeganistão não volte a ser um santuário terrorista global.

Diante do impasse, a comunidade internacional pede moderação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, ofereceu mediação e pediu "contenção máxima" para evitar uma catástrofe humanitária. No entanto, a retórica belicosa de ambos os lados e a ausência de canais diplomáticos efetivos tornam qualquer solução imediata improvável.

Com informações de BBC News, Al Jazeera, Reuters, The Guardian, Dawn (Paquistão), Tolo News (Afeganistão) ■

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