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O Paquistão anunciou nesta sexta-feira que está em "estado de guerra aberta" com o Afeganistão, elevando ao máximo a retórica bélica após uma série de incidentes na fronteira porosa entre os dois países. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou em pronunciamento oficial: "Não recuaremos diante de nenhum passo para defender nossa soberania. Estamos prontos para um confronto total." A declaração ocorreu horas depois de um ataque reivindicado por grupos armados que operam a partir do território afegão ter matado 16 soldados paquistaneses na região do Waziristão.
As relações entre os vizinhos, historicamente marcadas por desconfiança, atingiram o ponto mais crítico desde a retirada das forças da OTAN do Afeganistão, em 2021. Islamabad acusa Cabul de abrigar e apoiar militantes do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP) — grupo conhecido como Talibã paquistanês — que intensificaram ataques contra postos de segurança e alvos civis nos últimos meses. O governo afegão, controlado pelo Talibã desde agosto de 2021, nega as acusações e afirma que não permite que seu solo seja usado contra nenhum país.
Especialistas apontam que a escalada atual tem raízes profundas e pode desestabilizar ainda mais a região. Entre os fatores que levaram à crise estão:
O Talibã afegão, por sua vez, convocou o embaixador paquistanês em Cabul para prestar esclarecimentos e emitiu uma nota oficial classificando as declarações de Sharif como "irresponsáveis". O porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, afirmou: "O Afeganistão não quer guerra com ninguém, mas responderá com força se sua integridade territorial for ameaçada." Enquanto isso, moradores das províncias fronteiriças de Khost e Paktia relatam movimentação intensa de tropas de ambos os lados e o fechamento de postos de comércio essenciais para a economia local.
Analistas internacionais alertam para o risco de um conflito generalizado, que poderia envolver outras potências regionais. As principais consequências imediatas observadas são:
Diante do impasse, a comunidade internacional pede moderação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, ofereceu mediação e pediu "contenção máxima" para evitar uma catástrofe humanitária. No entanto, a retórica belicosa de ambos os lados e a ausência de canais diplomáticos efetivos tornam qualquer solução imediata improvável.
Com informações de BBC News, Al Jazeera, Reuters, The Guardian, Dawn (Paquistão), Tolo News (Afeganistão) ■