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Imagens de satélite mostram Irã fortificando instalações militares e nucleares
Bases iranianas recebem reforços estruturais e sistemas de defesa após aumento da retórica entre Teerã e Washington
Oriente-Medio
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR92Ct5s7RFBs8HRNujpXCqQkACfT54lw2aLw&s
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■   Bernardo Cahue, 19/02/2026

Novas imagens de satélite obtidas por agências internacionais de inteligência geoespacial revelam que o Irã está realizando obras de reparo e fortificação em pelo menos cinco instalações estratégicas no interior do país e na costa do Golfo Pérsico. Os registros, capturados entre os dias 10 e 17 de fevereiro, mostram movimentação intensa de maquinário pesado, escavação de novas galerias subterrâneas e a instalação de baterias antiaéreas adicionais em locais como a base naval de Bandar Abbas e o complexo de enriquecimento de urânio de Fordow.

Especialistas em proliferação de armas e análise de imagem apontam que as obras podem ter duplo propósito: proteger ativos sensíveis de um eventual ataque preventivo e, ao mesmo tempo, sinalizar capacidade de resistência diante do aumento da pressão militar norte-americana na região. "O que vemos é um padrão típico de preparação para conflitos de alta intensidade, com ênfase na sobrevivência das estruturas de comando e dos estoques de mísseis", explicou Fabian Hinz, pesquisador do International Institute for Strategic Studies (IISS), em análise publicada nesta semana.

Entre os principais pontos identificados estão:

  • Fortalecimento de túneis no complexo nuclear de Natanz – novas entradas foram abertas em encostas próximas, possivelmente para abrigar centrífugas avançadas.
  • Expansão da base de mísseis de Khorramabad – valas e rampas de lançamento foram camufladas com redes de disfarce.
  • Reativação de baterias antiaéreas em Bushehr – sistemas de defesa de curto alcance foram posicionados ao redor da usina nuclear.
  • Construção de barreiras marítimas no Estreito de Ormuz – lanchas rápidas e baterias de mísseis anti-navio tiveram suas posições alteradas.

Analistas divergem sobre os motivadores imediatos. Enquanto alguns veem uma resposta direta às declarações do governo Trump sobre a possibilidade de um ataque conjunto com Israel, outros lembram que o Irã sempre investiu em dissuasão assimétrica e na descentralização de suas capacidades. "Eles estão se preparando para o pior cenário, mas também querem mostrar que qualquer ação militar terá um custo alto", avaliou a consultora de segurança Sanam Vakil, do think tank Chatham House.

Em paralelo, fontes diplomáticas indicam que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tenta agendar uma nova rodada de inspeções em Fordow e Natanz, mas enfrenta dificuldades logísticas devido às obras em andamento. Os Estados Unidos, por meio de um porta-voz do Departamento de Defesa, limitaram-se a dizer que "monitoram de perto as atividades iranianas e mantêm todas as opções sobre a mesa para garantir a segurança dos aliados na região".

A seguir, os principais desdobramentos observados nos últimos dias:

  1. Transferência de mísseis balísticos de médio alcance para posições móveis no oeste do Irã.
  2. Testes de drones de reconhecimento sobre o Golfo Pérsico, registrados pela Marinha dos EUA.
  3. Reunião de emergência do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, convocada pelo aiatolá Khamenei.
  4. Aumento das patrulhas da Quinta Frota americana em águas internacionais próximas ao Catar.

Enquanto a comunidade internacional pede moderação, as imagens de satélite deixam claro que tanto Irã quanto EUA se preparam para uma eventual escalada, ainda que nenhum dos dois lados manifeste publicamente intenção de iniciar um conflito. A expectativa é que as discussões sobre o programa nuclear iraniano voltem à tona na próxima assembleia da ONU, marcada para março.

Com informações de: Reuters, Associated Press, Agence France-Presse, BBC News, Maxar Technologies, Planet Labs, International Institute for Strategic Studies ■

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