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Negociações retomadas entre Irã e Estados Unidos
Envolvimento de Omã tem sido crucial para o fim das ameaças de conflitos e retorno das negociações contra sanções norte-americanas
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou como "um passo adiante" a retomada das negociações nucleares com os Estados Unidos, retomadas em Mascate, Omã, após uma suspensão de oito meses. Em discurso, ele descreveu o diálogo como uma "oportunidade muito boa" para alcançar um acordo "justo, lógico e mutuamente satisfatório" sobre o programa nuclear do país.

"O povo iraniano sempre respondeu ao respeito com respeito, mas não aceita a linguagem da coerção nem das ameaças", afirmou Pezeshkian, delineando o tom que Teerã espera que prevaleça nas conversas.

As negociações, retomadas em 6 de fevereiro de 2026, ocorrem em um cenário de profunda desconfiança e após um período de confronto direto. Em junho de 2025, um ataque militar conduzido por Israel e apoiado pelos EUA contra instalações nucleares e lideranças iranianas levou a uma guerra de 12 dias entre os dois países e interrompeu completamente o diálogo.

Nos últimos meses, a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou sua presença militar no Golfo Pérsico, destacando o porta-aviões USS Abraham Lincoln, numa demonstração de força que foi interpretada por Teerã como uma ameaça. Trump já advertiu publicamente que, se um acordo não for alcançado, "as consequências serão muito graves".

Princípios e limites irredutíveis de Teerã

Em seus pronunciamentos, a liderança iraniana estabeleceu com clareza os parâmetros que considera inegociáveis:

  • Direito ao enriquecimento: A posição nuclear do Irã é baseada no Tratado de Não Proliferação (TNP), e o país não abrirá mão do direito de enriquecer urânio em seu solo.
  • Fora da mesa de negociações: O programa de mísseis balísticos e as atividades regionais do Irã (incluindo o apoio a grupos aliados) são considerados questões de defesa nacional e não fazem parte da agenda atual.
  • Exigência de sanções: Um acordo satisfatório para o Irã deve incluir o levantamento das sanções internacionais que estrangulam sua economia.

O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, foi enfático ao afirmar que as negociações só terão sucesso "quando os direitos do povo iraniano forem reconhecidos e respeitados". Ele também destacou o que chamou de "muro de desconfiança" entre os dois países, um obstáculo central a ser superado.

Um processo frágil com mediação regional

Diferente de rodadas anteriores, essas negociações contam com um envolvimento significativo de nações do Oriente Médio, principalmente Omã, que atua como mediador direto. A participação de países como Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita reflete uma preocupação regional comum em evitar uma nova escalada bélica.

O processo tem sido conduzido por meio de conversas indiretas. As delegações dos EUA, lideradas pelo enviado especial Steve Witkoff, e do Irã, chefiadas pelo ministro Araghchi, se reúnem em salas separadas em Mascate, com a comunicação intermediada pelo governo omanita.

Contexto interno: pressão econômica e instabilidade

A disposição iraniana em negociar não é dissociada de sua realidade doméstica. O país enfrenta uma crise econômica severa, com inflação galopante e o valor da moeda nacional em queda livre. Protestos massivos no final de 2025, reprimidos com violência, levantaram preocupações dentro do establishment político sobre a estabilidade do regime. Esse cenário de pressão interna pode ser um fator que incentiva a busca por um alívio econômico através de um acordo que remova as sanções.

Próximos passos e perspectivas cautelosas

Ambas as partes concordaram em manter o canal de diálogo aberto. Pezeshkian expressou esperança de que os EUA se comprometam "com os requisitos deste objetivo sem exigências excessivas". O local e a data de um próximo encontro ainda serão definidos por meio de consultas conduzidas por Omã.

O caminho a seguir é estreito e incerto. Enquanto o Irã insiste em uma abordagem baseada no "respeito mútuo" e no direito internacional, os EUA mantêm uma postura de máxima pressão, combinando diplomacia com demonstrações militares. O sucesso dependerá da capacidade de ambas as partes de construírem uma base mínima de confiança e encontrarem uma fórmula que atenda, ao menos em parte, aos seus interesses fundamentais em conflito.

Com informações de Anadolu Agency, BBC, The Guardian, TRT Español, El Universal.

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