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O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohammad Eslami, afirmou nesta segunda-feira (9) que o país estaria disposto a diluir seu urânio enriquecido a 60% se todas as sanções dos Estados Unidos fossem levantadas. A declaração, divulgada pela agência de notícias estatal IRNA, sinaliza uma possível abertura de Teerã em um dos pontos mais críticos das tensões nucleares, mas a condição é absoluta.
Eslami, no entanto, não especificou se a exigência se refere ao fim de todas as sanções internacionais contra o Irã ou apenas às impostas unilateralmente por Washington. Ele também negou veementemente relatos de que o Irã aceitaria transferir seu estoque de urânio altamente enriquecido para um terceiro país, classificando a ideia como uma proposta de "grupos de pressão".
Esta é a primeira manifestação concreta de flexibilidade iraniana desde que as negociações indiretas com os EUA foram retomadas, mediadas por Omã. A última rodada de alto nível ocorreu na sexta-feira passada, também em Muscat, entre o enviado especial americano Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Paralelamente à oferta nuclear, altos funcionários iranianos reafirmaram uma condição não negociável: o programa de mísseis balísticos do país deve permanecer completamente fora da agenda de qualquer acordo. A única questão em discussão, afirmam, é o dossiê nuclear.
Contexto de crise e pressão militar
As negociações ocorrem em um ambiente de extrema desconfiança e sob a sombra de uma recente guerra e ataques diretos. Em junho de 2025, após o colapso de uma rodada anterior de negociações, Israel lançou um grande ataque contra alvos iranianos, seguido por ataques americanos com bombas "bunker-buster" a três instalações nucleares iranianas (Fordo, Natanz e Isfahan) em 22 de junho.
Os ataques causaram danos significativos à capacidade de enriquecimento do Irã, mas o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, alertou que o país poderia retomar a atividade em poucos meses. Desde então, a localização de mais de 400 kg de urânio altamente enriquecido que o Irã possuía antes da guerra é desconhecida, com a última inspeção da AIEA registrada em 10 de junho. Essa quantidade é suficiente para produzir nove armas nucleares se enriquecida ao grau de 90%.
Principais pontos de atrito nas negociações
Cenário regional e próximos passos
O presidente dos EUA, Donald Trump, que reiniciou uma campanha de "pressão máxima" contra o Irã, afirmou que as negociações têm sido "muito boas", mas continua a avisar sobre "consequências severas" se um acordo não for fechado. Ele recentemente enviou um porta-aviões e navios de guerra ao Oriente Médio como demonstração de força.
Nesta quarta-feira, Trump se reunirá com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que pressiona por uma linha dura que inclua restrições ao programa de mísseis e às atividades regionais do Irã. Do lado iraniano, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, viajou a Omã, possivelmente para transmitir novas mensagens nas conversas.
Analistas observam que, apesar do risco de conflito permanecer alto, as partes parecem estar mais perto de um acordo do que há algumas semanas. O papel de mediador de Omã e os sinais positivos de ambos os lados geraram um frágil otimismo, que agora será testado nos detalhes técnicos e políticos de qualquer entendimento.
Com informações de: Al Jazeera, France 24, Euronews, Anadolu Agency, Wikipedia ■