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António José Seguro, do Partido Socialista (PS), foi eleito neste domingo (8) Presidente da República de Portugal, derrotando de forma contundente André Ventura, líder do partido de extrema-direita Chega. Com 99% das urnas apuradas, Seguro obteve 66,7% dos votos válidos, contra 33,3% de Ventura. A vitória, amplamente antecipada pelas pesquisas, consolida uma frente democrática ampla e interrompe a escalada eleitoral do Chega ao mais alto cargo do Estado.
Em seu primeiro discurso como presidente eleito, proferido no Centro Cultural de Congressos das Caldas da Rainha, Seguro adotou um tom de união nacional. "Os vencedores dessa noite são os portugueses e a democracia", declarou, dirigindo-se também ao adversário: "Como democrata, todos que concorreram comigo merecem meu respeito. Como futuro presidente, acrescento que a partir dessa noite deixamos de ser adversários". Ele ainda se comprometeu a ser um presidente de "todos, todos, todos" os portugueses.
A eleição ocorreu sob circunstâncias excepcionais. Portugal enfrentava um estado de calamidade pública devido a fortes tempestades que causaram pelo menos 15 mortes. O mau tempo obrigou ao adiamento da votação em 17 freguesias, afetando cerca de 37 mil eleitores (0,3% do total). Apesar das condições adversas, Seguro conquistou um marco: com aproximadamente 3,48 milhões de votos, ele se tornou o candidato presidencial mais votado em número absoluto na história de Portugal, superando o recorde de Mário Soares (1991). Em percentagem, seu resultado de 66,8% é o segundo maior desde a redemocratização.
O caminho para o segundo turno foi definido em 19 de janeiro, quando Seguro venceu a primeira volta com 31,1% dos votos, seguido por Ventura com 23,5%. A virada decisiva na campanha do socialista aconteceu na última semana, quando ele conquistou a maioria dos eleitores indecisos e menos fiéis a partidos, um segmento que representou 17,2% do eleitorado.
Portugal funciona sob um regime semipresidencialista, onde o poder executivo é partilhado. O primeiro-ministro (atualmente Luís Montenegro, do Partido Social Democrata - PSD, de centro-direita) dirige o governo, enquanto o Presidente da República tem um papel fundamentalmente moderador e de garantia das instituições. Entre suas principais atribuições estão:
Seguro deixou claro como pretende exercer essas funções: "Prometi lealdade e cooperação institucional com o Governo, cumprirei a minha palavra. Jamais serei um contrapoder, mas serei um Presidente exigente... Não serei oposição, mas serei exigência". Ele também garantiu que não interromperá a atual legislatura do governo de centro-direita.
Apesar da derrota expressiva, a candidatura de André Ventura marcou a consolidação do Chega como uma força política majoritária na direita portuguesa. Obter cerca de um terço dos votos nacionais (aproximadamente 1,73 milhão) em uma disputa presidencial é um marco sem precedentes para o partido, que em 2019 tinha apenas 1,3% dos votos legislativos. Ventura reconheceu a derrota rapidamente, desejando a Seguro um "excelente mandato", enquanto o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, afirmou que o partido foi o "grande vencedor da direita".
A vitória de Seguro foi impulsionada por um amplo arco de alianças que se formou para conter a extrema-direita. Ele recebeu o apoio explícito de:
Este apoio transversal demonstra como a eleição foi interpretada por setores do centro e da direita tradicional como um plebiscito sobre os valores democráticos frente ao populismo de extrema-direita.
António José Seguro, de 63 anos, é um político de longa data no PS, com passagem por cargos de deputado, eurodeputado e secretário-geral do partido. Seu discurso reflete um estilo moderado e conciliador, mas com firmeza. Ele inovou ao fazer perguntas a jornalistas logo após seu discurso de vitória, pedindo silêncio e respeito aos repórteres, um gesto que simboliza sua abordagem.
Seus primeiros compromissos serão de caráter humanitário: visitar as zonas afetadas pelas tempestades e assegurar que a ajuda chegue sem burocracia às vítimas. A médio prazo, ele terá de navegar a relação com um governo minoritário de orientação oposta, assegurando a estabilidade política enquanto exerce seu papel constitucional de fiscal e moderador. A sua promessa é a de um presidente "sereno e autónomo", que age com "total liberdade" e "sem amarras", mas sempre dentro do quadro institucional.
Com informações de: G1, BBC News Brasil, SIC Notícias, O Globo, CNN Portugal, Record, UOL, Observador ■