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Rússia anuncia prisão em Dubai de suspeito por atentado contra general da inteligência militar
Tenente-general Vladimir Alekseyev foi baleado na sexta-feira (6) em Moscou. Serviço de segurança russo afirma que autor fugiu para Emirados Árabes Unidos e foi extraditado com ajuda das autoridades locais
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou, neste domingo (8), a prisão do principal suspeito pela tentativa de assassinato do tenente-general Vladimir Alekseyev, vice-chefe da poderosa inteligência militar russa (GRU). O ataque a tiros ocorreu na manhã de sexta-feira (6) no prédio residencial onde o general vive, no noroeste de Moscou.

O FSB identificou o suspeito como Lyubomir Korba, de 65 anos, um cidadão russo nascido na região de Ternopil, na então Ucrânia soviética. De acordo com a agência de segurança, Korba fugiu para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, logo após o crime, mas foi detido com a cooperação das autoridades locais e já foi extraditado para a Rússia. Imagens da televisão estatal russa mostraram agentes encapuzados do FSB escoltando um homem de vendas descendo de um jato.

O serviço de segurança também afirmou ter identificado dois cúmplices:

  • Viktor Vasin, de 66 anos, que foi detido em Moscou.
  • Zinaida Serebritskaya, de 54 anos, que, segundo o FSB, conseguiu fugir para a Ucrânia.

O ataque e a investigação

Vladimir Alekseyev, de 64 anos, foi atacado no hall de escadas de seu prédio. O atirador, que se passou por um entregador, efetuou três disparos usando uma pistola Makarov equipada com silenciador. O general foi atingido várias vezes e levado às pressas para um hospital, onde passou por cirurgia e ficou internado em estado grave. Neste domingo, sua esposa teria informado a um blogueiro militar que Alekseyev recuperou a consciência e já consegue falar.

Acusações russas e negação ucraniana

Poucas horas após o atentado, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, classificou o evento como um "ato terrorista" e acusou a Ucrânia de ser a responsável, alegando que o objetivo seria sabotar as negociações de paz. O ataque ocorreu um dia após a conclusão de uma rodada de conversas entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos em Abu Dhabi.

O governo ucraniano, por sua vez, negou qualquer envolvimento. O chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, sugeriu que o tiroteio poderia ser resultado de conflitos internos no aparato de poder russo.

Quem é o general Vladimir Alekseyev

O tenente-general ocupa um cargo de extrema influência e sensibilidade dentro do aparato militar russo:

  • É o primeiro vice-chefe da GRU (Diretoria de Inteligência Militar), posição que ocupa desde 2011.
  • Teve papel central na guerra contra a Ucrânia, sendo descrito como um dos oficiais que fornecia inteligência ao presidente Vladimir Putin para a invasão de 2022.
  • Era o principal responsável pela interface entre o Ministério da Defesa russo e o Grupo Wagner, o conglomerado mercenário. Em 2023, foi um dos enviados para negociar com seu líder, Yevgeny Prigozhin, durante o breve motim da organização.
  • Está sob sanções internacionais dos Estados Unidos e da União Europeia por suposta interferência em eleições e por seu alegado envolvimento no ataque com agente nervoso em Salisbury, Reino Unido, em 2018.

Contexto de ataques a militares

Este é o mais recente de uma série de atentados contra altos oficiais russos desde o início da guerra na Ucrânia. Apenas nos últimos meses:

  1. Em dezembro de 2024, o tenente-general Igor Kirillov, chefe das tropas de defesa química, biológica e nuclear, foi morto por uma bomba colocada em um patinete elétrico perto de sua casa.
  2. Em abril de 2025, o tenente-general Yaroslav Moskalik, vice-chefe do departamento operacional do Estado-Maior, foi morto por uma bomba em seu carro.
  3. Em dezembro de 2025, o tenente-general Fanil Sarvarov, chefe da diretoria de treinamento, foi assassinado com um carro-bomba.

Estes ataques, alguns reivindicados pela inteligência ucraniana, levantaram fortes críticas dentro da Rússia sobre a falta de proteção adequada para a alta liderança militar em plena Moscou. Especialistas e blogueiros militares questionam as falhas de segurança que permitem que os agentes se aproximem de seus alvos com relativa facilidade.

Com informações de: G1, Agência Brasil, UOL, Euronews, Público, CNN Brasil, SAPO 24, The Guardian ■

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