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Portugal decide em segundo turno entre a continuidade socialista e a ascensão da ultradireita
Mais de 11 milhões de eleitores foram chamados às urnas em um pleito que define não apenas o sucessor do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, mas o rumo político do país após anos de crescimento do partido Chega
Europa
Foto: https://iclnoticias.com.br/app/uploads/2026/02/antonio-jose-seguro-andre-ventura-eleicoes-portugal03.webp
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

Portugal viveu neste domingo, 8 de fevereiro, um momento decisivo em sua democracia. Pela primeira vez em 40 anos, o presidente da República será escolhido em uma segunda volta, em um embate polarizado que opõe o candidato socialista António José Seguro ao líder da extrema-direita, André Ventura, do partido Chega. Os eleitores tiveram de escolher entre a promessa de estabilidade institucional e um projeto que promete "sacudir" o sistema político dos últimos 52 anos.

Contexto e Resultado da Primeira Volta

A primeira volta, realizada em 18 de janeiro, já indicou a profunda fragmentação do cenário político português. António José Seguro, ex-líder do Partido Socialista (PS), liderou com 31,11% dos votos, seguido por André Ventura, com 23,52%. Foi a melhor performance de um candidato socialista em décadas, mas também consolidou o Chega como uma força principal, repetindo o sucesso que o partido já havia alcançado nas legislativas de 2024. Pela primeira vez desde o retorno à democracia, em 1974, um candidato de extrema-direita disputa a presidência no turno decisivo.

Um Favorito com Apoio Amplo

As pesquisas para a segunda volta sempre apontaram Seguro como franco favorito. Dados do Cesop da Universidade Católica indicavam 67% de intenção de voto para o socialista, contra 33% para Ventura. Outras sondagens, como as da Pitagórica e da Aximage, confirmavam essa tendência, com margens entre 35 e 41 pontos percentuais. Esse amplo vantagem foi construída a partir de uma coalizão informal de rejeição a Ventura:

  • Seguro recebeu o apoio expresso dos principais candidatos de centro-direita derrotados na primeira volta: o liberal João Cotrim de Figueiredo, o almirante Henrique Gouveia e Melo e o conservador Luís Marques Mendes.
  • Também manifestaram apoio a Seguro figuras históricas como os ex-presidentes Aníbal Cavaco Silva e António Ramalho Eanes, além de personalidades da cultura e das artes.
  • O Partido Social Demócrata (PSD), do primeiro-ministro Luís Montenegro, optou por não dar qualquer indicação de voto, em um silêncio que foi interpretado como um distanciamento tático de Ventura.

Participação Recorde e Desafios Logísticos

Contrariando prognósticos de uma abstenção elevada devido ao mau tempo, a participação eleitoral matinal foi a mais alta desde que há registros (a partir de 2006), com 22,35% do eleitorado tendo votado até o meio-dia. O dia de votação ocorreu após uma série de tempestades (Kristin, Leonardo e Marta) que causaram inundações, deixaram milhares sem energia e provocaram pelo menos seis mortes diretas. A situação foi tão crítica que o próprio André Ventura sugeriu o adiamento nacional da votação, proposta que foi rejeitada pela Comissão Nacional de Eleições. Apesar das condições, o comparecimento robusto foi visto como um sinal de mobilização da sociedade.

O Fim do Excepcionalismo Português?

A campanha e o resultado final são a culminação de uma transformação política lenta mas consistente. Portugal era frequentemente citado como um exemplo de resistência à onda populista de direita na Europa. Esse "excepcionalismo" chegou ao fim. O Chega, fundado por Ventura em 2019, cresceu de 1% para se tornar a terceira maior força parlamentar em poucos anos, capitalizando-se no desencanto com os partidos tradicionais, especialmente em áreas rurais. A vitória de Seguro, portanto, representa mais um contenção pontual do que a derrota definitiva deste fenômeno. A eleição presidencial, embora com poderes cerimoniais, serve como um poderoso termostato político para o governo de Montenegro e para o futuro do país.

Com informações de: Infobae, El País, La Vanguardia, Euronews, RTVE, Yahoo Notícias, Heraldo ■

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