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Irã rejeita pressões de Trump e busca acordo sobre programa nuclear
Governo islâmico descarta qualquer concessão sobre o programa de enriquecimento de uranio do país
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

Em um momento de extrema tensão geopolítica, o governo iraniano rejeitou publicamente as pressões dos Estados Unidos e reafirmou sua disposição de buscar um acordo sobre seu programa nuclear por meio de negociações, descartando qualquer concessão sobre o enriquecimento de uranio, que considera um direito inalienável. As declarações ocorrem após uma nova rodada de conversações indiretas mediadas por Omã, realizadas em 6 de fevereiro em Mascate, que marcaram a retomada do diálogo após meses de hostilidades diretas.

O cenário é de diplomacia sob ameaça militar explícita. Enquanto as delegações se reuniam, o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln operava no Mar da Arábia. Mais do que um pano de fundo, a pressão militar fez parte da mesa de negociações: o almirante Brad Cooper, comandante do Comando Central dos EUA (CENTCOM), participou dos diálogos em traje completo, em um sinal claro de que Washington conduz a diplomacia "à sombra da força".

As Posições Irredutíveis

As declarações pós-negociação revelam um abismo quase intransponível entre as partes. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, foi categórico em seus pronunciamentos:

  • Direito ao enriquecimento: "Por que insistimos tanto no enriquecimento e nos recusamos a desistir, mesmo que uma guerra nos seja imposta? Porque ninguém tem o direito de ditar nosso comportamento". Ele afirmou que a exigência americana de "enriquecimento zero está fora do alcance das negociações".
  • Rejeição à intimidação: "O aumento da presença militar estadounidense não nos intimida. Estamos preparados para a guerra, mas não somos belicistas".
  • Foco exclusivamente nuclear: Araghchi deixou claro que o programa de mísseis balísticos do Irã "nunca esteve e não estará na pauta".

Do lado americano, o presidente Donald Trump descreveu as conversas como "muito boas" e afirmou que o Irán "parece querer muito chegar a um acordo". No entanto, sua abordagem continua sendo de ultimato: "Eles conhecem as consequências se não o fizerem. Se não chegarem a um acordo, as consequências serão muito duras". Horas após o término da rodada em Mascate, o Departamento de Estado anunciou novas sanções contra uma "frota fantasma" de navios que transportam petróleo iraniano, demonstrando a tática de negociar e pressionar simultaneamente.

Um Pano de Fundo de Conflito e Crise Interna

As atuais conversas ocorrem após uma sequência traumática de eventos em 2025:

  1. Guerra com Israel e EUA: Em junho de 2025, Israel lançou bombardeios contra o Irã, que respondeu com drones e mísseis. Dias depois, os EUA atacaram diretamente três instalações nucleares iranianas. Um cessar-fogo foi acordado em 24 de junho, após centenas de mortos.
  2. Protestos e repressão interna: Em janeiro de 2026, o Irã enfrentou os protestos mais violentos desde 1979. Fontes internacionais estimam que a repressão causou entre 3.117 e quase 12.000 mortes. Trump ofereceu ajuda aos manifestantes, aumentando a tensão com o regime.
  3. Crise econômica profunda: O país sofre com sanções, descontentamento social, seca e escassez de energia, fatores que pressionam o governo.

O alto comando militar iraniano, representado pelo major-general Abdolrahim Mousavi, tenta equilibrar a mensagem: "Se estamos preparados, não temos intenção de iniciar uma guerra na região". No entanto, adverte que um conflito retardaria o desenvolvimento regional por anos e que EUA e Israel seriam responsabilizados.

Os Obstáculos e o Caminho à Frente

Analistas observam que as conversas em Mascate compraram tempo, mas não um acordo. Vários obstáculos críticos permanecem:

  • Desconfiança Estrutural: A retirada dos EUA do acordo nuclear de 2015 (JCPOA) sob Trump destruiu a confiança iraniana na durabilidade dos compromissos americanos.
  • Agendas Incompatíveis Os EUA buscam um acordo "abrangente" que inclua mísseis e atividades regionais. O Irã insiste em discutir apenas o dossier nuclear e obter alívio sanitário imediato.
  • Falta de um Mecanismo de Concessões: A imposição de novas sanças logo após as negociações reforça para Teerã que concessões podem ser seguidas por novas demandas, não por alívio.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou as negociações como "um passo adiante", reafirmando que o diálogo é a estratégia do país. Enquanto isso, atores regionais como Omã, Catar e Egito atuam nos bastidores para manter o canal de diálogo aberto. O que está em jogo nas próximas semanas não é um acordo final, mas a construção de uma base mínima de confiança para evitar que o delicado cessar-fogo desabe em um conflito ainda maior.


Com informações de: 5septiembre.cu, Infobae, Al Jazeera, teleSUR, VTV, CNN Español, South China Morning Post, Wikipedia, CGTN ■

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