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Dados oficiais revelam uma distorção significativa no mercado de combustíveis no Brasil: enquanto o preço da gasolina nas refinarias da Petrobras acumula queda de 16.4% desde dezembro de 2022, o valor médio do litro nos postos de combustível subiu 37.1% no mesmo período. Na prática, a redução de R$ 0,51 no preço para as distribuidoras, que levou o litro de R$ 3,08 para R$ 2,57, foi amplamente superada pelo aumento de R$ 1,35 na revenda ao consumidor final, que fez o preço médio pular de R$ 4,98 para R$ 6,33. Para encher um tanque de 50 litros, o motorista gastava R$ 249 no final de 2022. Hoje, gasta R$ 316,50 - um acréscimo de R$ 67,50.
Especialistas e agentes do setor apontam que a composição do preço final é a chave para entender o fenômeno. A parcela correspondente à Petrobras representa menos de um terço (28.4%) do valor pago na bomba. O restante é formado por:
O aumento do ICMS em 2026 foi um fator de pressão imediata. A partir de 1º de janeiro, o valor fixo do imposto por litro de gasolina subiu R$ 0,10, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57. "Quando o ICMS aumenta, como aconteceu no último mês, o impacto é direto e também mais rapidamente sentido nas bombas", explica Renato Mascarenhas, diretor da Edenred Mobilidade. Esse reajuste tributário ajuda a explicar por que os combustíveis iniciaram 2026 em alta, com a gasolina comum registrando aumento médio de 1.63% em janeiro.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, atribui a dificuldade de repasse ao consumidor à privatização da BR Distribuidora em 2019. Segundo ela, com a venda da rede, a estatal perdeu a capacidade de influenciar a formação do preço na ponta final. "A gente abaixa o preço do combustível, mas as distribuidoras em geral alargam suas margens e isso não alcança o consumidor final", afirmou.
Por outro lado, os representantes dos postos revidam e rejeitam o papel de "vilões". O presidente do Sincopetro-SP, José Alberto Gouveia, argumenta que a margem de revenda permite cortar, no máximo, R$ 0,06 de um corte de R$ 0,14 anunciado pela Petrobras. Gouveia também alerta para a concorrência desleal de um "mercado paralelo" ligado a crimes como lavagem de dinheiro, que não recolhe impostos e pressiona os preços para baixo, dificultando a operação dos postos regulares.
A disparidade de preços é acentuada entre as regiões do país. Em janeiro de 2026, enquanto a gasolina comum tinha preço médio nacional de R$ 6,483, levantamentos apontam que o litro do combustível chegou a ser vendido por até R$ 9,29 em postos dos municípios de Barueri e Guarujá, em São Paulo. Para o diesel, a região Norte segue com os preços médios mais elevados, com Roraima e Amapá registrando valores próximos a R$ 7,45 por litro na primeira quinzena de janeiro.
O cenário de custos elevados na bomba se desenrola em um momento em que o governo federal destaca a volta dos investimentos industriais, inclusive no setor automotivo, com programas como o Mover. No entanto, a pressão sobre o bolso do consumidor com itens essenciais como o combustível pode representar um contraponto aos discursos de recuperação econômica e afetar o poder de compra das famílias.
Com informações de: UOL, Diário do Centro do Mundo, Trading Economics, Estadão Conteúdo, Portal R7, Use Baratão ■