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O sistema global de direitos humanos está em perigo, minado por uma combinação de pressão da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e dos esforços persistentes da China e da Rússia. É o que alerta a organização não governamental Human Rights Watch (HRW) em seu Relatório Mundial de 2026, divulgado nesta quarta-feira (4). A ONG afirma que a ordem internacional baseada em regras está sendo "destruída", ameaçando a arquitetura que protege liberdades fundamentais, e que os EUA, sob Trump, lideram um "avanço autoritário" de impacto mundial .
O documento, que analisa a situação em mais de 100 países, apresenta um dado alarmante: 72% da população mundial vive atualmente sob regimes autoritários, um retrocesso ao patamar de 1985. "A Rússia e a China são menos livres hoje do que há 20 anos. E também os Estados Unidos", afirma o relatório .
Segundo a HRW, o primeiro ano do segundo mandato de Trump funcionou como um "ponto de inflexão", com a administração realizando um "amplo ataque" a pilares da democracia americana e da ordem global . A ONG cataloga uma série de ações domésticas que considera autoritárias:
Na política externa, a atuação de Washington é descrita como um motor da desordem global. "Trump se vangloriou de não 'precisar do direito internacional' como restrição, apenas de sua 'própria moralidade'", diz o texto . Entre as ações condenadas estão:
A organização sustenta que a postura americana reduziu o custo político para que autocratas em todo o mundo desafiem normas internacionais. Juntos, EUA, China e Rússia, apesar de rivais estratégicos, "compartilham um desprezo aberto pelas normas e instituições que poderiam restringir seu poder" e, ao atuarem para corroer as regras globais, representam uma ameaça a todo o sistema .
Diante desse cenário, a Human Rights Watch faz um apelo urgente. A ONG pede que governos que ainda valorizam a democracia, movimentos sociais e instituições internacionais formem uma "aliança estratégica" para conter a onda autoritária, que considera "o desafio de uma geração" . Para Philippe Bolopion, diretor executivo da HRW, essa coalizão poderia se tornar uma força política poderosa e um bloco econômico substancial, capaz de impor custos a regimes repressivos e defender as instituições multilaterais .
Com informações de Human Rights Watch, InfoMoney, Le Monde, Veja e Agência Brasil■