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Relatório da Human Rights Watch alerta para 'avanço autoritário' global liderado pelos EUA
Documento anual aponta que 72% da população mundial vive sob autocracias, patamar equivalente aos anos 1980, e atribui retrocesso a ações do governo americano em seu segundo mandato
Analise
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■   Bernardo Cahue, 04/02/2026

O sistema global de direitos humanos está em perigo, minado por uma combinação de pressão da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e dos esforços persistentes da China e da Rússia. É o que alerta a organização não governamental Human Rights Watch (HRW) em seu Relatório Mundial de 2026, divulgado nesta quarta-feira (4). A ONG afirma que a ordem internacional baseada em regras está sendo "destruída", ameaçando a arquitetura que protege liberdades fundamentais, e que os EUA, sob Trump, lideram um "avanço autoritário" de impacto mundial .

O documento, que analisa a situação em mais de 100 países, apresenta um dado alarmante: 72% da população mundial vive atualmente sob regimes autoritários, um retrocesso ao patamar de 1985. "A Rússia e a China são menos livres hoje do que há 20 anos. E também os Estados Unidos", afirma o relatório .

Segundo a HRW, o primeiro ano do segundo mandato de Trump funcionou como um "ponto de inflexão", com a administração realizando um "amplo ataque" a pilares da democracia americana e da ordem global . A ONG cataloga uma série de ações domésticas que considera autoritárias:

  • Minar a confiança no processo eleitoral e reduzir a responsabilização do governo .
  • Atacar a independência judicial e desrespeitar ordens judiciais .
  • Reduzir drasticamente programas de assistência alimentar e subsídios de saúde .
  • Usar o poder do Estado para intimidar opositores políticos, a mídia, universidades e a sociedade civil .
  • Implementar políticas migratórias brutais, incluindo rusgas que aterrorizam comunidades e a deportação de requerentes de asilo para países onde sofreram tortura .

Na política externa, a atuação de Washington é descrita como um motor da desordem global. "Trump se vangloriou de não 'precisar do direito internacional' como restrição, apenas de sua 'própria moralidade'", diz o texto . Entre as ações condenadas estão:

  • A retirada dos EUA de fóruns multilaterais como o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a Organização Mundial da Saúde .
  • O corte quase total da ajuda externa, incluindo fundos para defensores de direitos humanos e ajuda humanitária vital .
  • A imposição de sanções a funcionários do Tribunal Penal Internacional (TPI) .
  • A realização de ataques militares letais e ilegais a barcos no Caribe e no Pacífico .
  • O apoio e admiração a líderes autoritários, como Viktor Orbán (Hungria) e Nayib Bukele (El Salvador), enquanto critica aliados democráticos .

A organização sustenta que a postura americana reduziu o custo político para que autocratas em todo o mundo desafiem normas internacionais. Juntos, EUA, China e Rússia, apesar de rivais estratégicos, "compartilham um desprezo aberto pelas normas e instituições que poderiam restringir seu poder" e, ao atuarem para corroer as regras globais, representam uma ameaça a todo o sistema .

Diante desse cenário, a Human Rights Watch faz um apelo urgente. A ONG pede que governos que ainda valorizam a democracia, movimentos sociais e instituições internacionais formem uma "aliança estratégica" para conter a onda autoritária, que considera "o desafio de uma geração" . Para Philippe Bolopion, diretor executivo da HRW, essa coalizão poderia se tornar uma força política poderosa e um bloco econômico substancial, capaz de impor custos a regimes repressivos e defender as instituições multilaterais .

Com informações de Human Rights Watch, InfoMoney, Le Monde, Veja e Agência Brasil■

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