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Rússia desfere maior ataque do ano contra infraestrutura energética da Ucrânia
Ofensiva com mais de 500 mísseis e drones ocorre às vésperas de nova rodada de negociações e após o fim de uma breve trégua, deixando milhares de civis sem aquecimento em temperaturas abaixo de -20°C
Leste Europeu
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■   Bernardo Cahue, 03/02/2026

A Rússia lançou na madrugada desta terça-feira (3) o que foi descrito como o maior e "mais poderoso golpe" contra o sistema energético da Ucrânia em 2026. De acordo com o governo ucraniano, a ofensiva combinada empregou aproximadamente 450 drones de ataque e mais de 70 mísseis de diversos tipos, incluindo balísticos e de cruzeiro. O ataque foi estrategicamente realizado durante uma intensa onda de frio, com temperaturas caindo para -20°C em Kiev e -25°C em Kharkiv, buscando maximizar o sofrimento civil.

O presidente Volodymyr Zelensky acusou Moscou de priorizar o terror sobre a diplomacia. "Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia", escreveu ele nas redes sociais. O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, detalhou que os alvos primários foram infraestruturas de energia e residenciais em Kiev, Dnipro, Kharkiv, Sumy, Odesa e outras regiões.

Impacto humanitário e danos materiais

O dano à população civil foi severo e imediato. Em Kiev, o prefeito Vitali Klitschko informou que 1.170 prédios residenciais ficaram sem aquecimento. Ataques semelhantes em Kharkiv forçaram as autoridades a cortar o aquecimento de pelo menos 820 edifícios para evitar o congelamento e o colapso de toda a rede da cidade. Os resultados incluem:

  • Vítimas: Pelo menos 10 feridos foram registrados em várias cidades, incluindo Kiev e Kharkiv.
  • Danos Colaterais: Além das infraestruturas energéticas, ataques danificaram apartamentos, um jardim de infância e até o monumento da Mãe Pátria em Kiev, um memorial da Segunda Guerra Mundial.
  • Crise Energética: A empresa privada DTEK, a maior do setor, confirmou que duas de suas usinas termelétricas foram atingidas, no que foi o nono ataque massivo desde outubro. O CEO da empresa alertou que o sistema opera no "modo de sobrevivência".

Contexto estratégico e fracasso da trégua

O ataque maciço marca o fim abrupto de uma breve pausa nos bombardeios a grandes cidades. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter feito um "pedido pessoal" ao presidente russo Vladimir Putin para suspender os ataques durante o frio extremo. O Kremlin concordou com uma trégua, mas limitou sua duração até o dia 1º de fevereiro. A ofensiva desta terça-feira, portanto, ocorreu assim que esse período expirou.

O timing também é significativo pois precede uma nova rodada de negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, mediada por Washington e agendada para quarta e quinta-feira (4 e 5 de fevereiro) em Abu Dhabi. Sybiha ressaltou a contradição: "Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi esta semana, nem as promessas aos Estados Unidos impediram [a Rússia] de continuar a aterrorizar pessoas comuns no inverno mais rigoroso".

Desafios da defesa e cenário político

A defesa aérea ucraniana enfrenta dificuldades críticas. A Força Aérea do país informou ter interceptado apenas 38 dos mais de 70 mísseis lançados, uma taxa de sucesso abaixo do habitual que evidencia a escassez de sistemas de defesa. Zelensky tem pedido publicamente aos aliados o fornecimento urgente de mais mísseis para sistemas como o Patriot. Paralelamente, meios de comunicação internacionais reportam que a Ucrânia e seus aliados ocidentais estabeleceram um mecanismo de resposta para violações de um eventual cessar-fogo, que poderia culminar em ação militar coordenada se os ataques persistissem por mais de 72 horas.

O ataque ocorreu no mesmo dia em que o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, visitava Kiev para se reunir com Zelensky, reforçando o apoio da aliança em um momento de extrema pressão para a população ucraniana.

Com informações de: G1 - Globo, BBC, CNN Brasil, CNN Portugal, Al Jazeera, CartaCapital, Military.com, Público ■

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