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A relação do brasileiro com o trabalho passa por uma crise profunda, marcada por desgaste emocional, excesso de pressão e um sentimento generalizado de pouco reconhecimento. Dados da pesquisa global Work Relationship Index, da HP, mostram que apenas 29% dos trabalhadores no Brasil estão na "Zona Saudável", enquanto a "Zona Crítica" — que representa o estágio mais grave de desgaste — já concentra 34% dos profissionais, um aumento de 9% desde 2024.
Outro levantamento, da Infojobs, confirma a gravidade do cenário: 90% dos profissionais já consideraram trocar de emprego por motivos de saúde mental, satisfação ou felicidade. Apesar de um leve avanço, com a felicidade no trabalho subindo 4% em 2025, o índice brasileiro ainda permanece 6% abaixo da média global.
Os principais fatores apontados como prejudiciais à saúde mental no ambiente corporativo são:
Para 71% dos trabalhadores, as exigências e expectativas das empresas aumentaram no último ano, sem que houvesse recompensas na mesma medida. Quase 4 em cada 10 profissionais (39%) acreditam que suas organizações priorizam o lucro em detrimento das pessoas.
O adoecimento emocional se traduz em números alarmantes de afastamentos. Dados do INSS analisados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) mostram que os afastamentos por transtornos mentais subiram cerca de 80% entre 2023 e 2025, com um custo que ultrapassou R$ 954 milhões apenas em 2025.
Em 2024, foram registrados mais de 470 mil afastamentos por esses motivos, o maior número em uma década. Depressão e ansiedade lideram os diagnósticos, sendo a saúde mental das mulheres especialmente afetada — elas representam 64% dos afastamentos.
Em resposta a esse cenário, os profissionais estão reavaliando suas prioridades. Para 86% dos trabalhadores, o bem-estar é tão importante quanto o salário ao escolher ou permanecer em um emprego. A busca por estabilidade, antes vista como falta de ambição, agora é interpretada como uma estratégia de preservação da saúde mental em um mercado volátil.
Os jovens da Geração Z lideram essa mudança de valores: 90% deles aceitariam ganhar menos em troca de flexibilidade, autonomia e acesso à tecnologia. Além disso, 57% já possuem uma fonte de renda extra, o que reflete tanto a pressão financeira quanto a busca por maior controle sobre o próprio tempo.
Apesar do quadro desafiador, alguns fatores surgem como possíveis aliados para um ambiente mais saudável:
Especialistas alertam que o problema deixou de ser individual e se tornou organizacional. Empresas com programas estruturados de bem-estar registram 30% menos rotatividade e 30% menos absenteísmo. A solução, portanto, depende da capacidade das organizações em criar ambientes psicologicamente seguros, com líderes empáticos e práticas que promovam reconhecimento genuíno e propósito.
Com informações de: G1, CNN Brasil, Grupo Reporter, InfoMoney, Tissue Online, Veja, DataSenado, Você S/A ■