Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
O governo do Irã convocou, entre domingo (01) e esta segunda-feira (02), todos os embaixadores da União Europeia (UE) com representação em Teerã para formalizar um protesto contra a decisão do bloco de designar a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) como uma organização terrorista. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, descreveu a medida da UE como "ilegal, injustificada e gravemente errônea" e afirmou que a convocação dos diplomatas foi uma "medida mínima" inicial.
Baghaei declarou que uma série de ações de retaliação estão sendo preparadas e foram enviadas aos órgãos decisórios competentes, com uma decisão final esperada para os próximos dias. Em paralelo, ele buscou acalmar a população sobre o risco de guerra, afirmando "não se preocupem" quando questionado sobre o assunto.
Em uma primeira resposta simétrica, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, anunciou no domingo (01) que o Irã agora considera todas as forças armadas dos países da União Europeia como grupos terroristas. A decisão foi tomada com base na "Lei de Contramedidas contra a Declaração da IRGC como Organização Terrorista", aprovada em 2019 após os Estados Unidos tomarem medida similar.
Ghalibaf criticou veementemente a UE, afirmando: "Europeus têm, na verdade, atirado no próprio pé e, mais uma vez, por obediência cega aos americanos, decidiram contra os interesses de seu próprio povo". Ele também instruiu a comissão de segurança do parlamento a declarar os adidos militares europeus no Irã como terroristas.
A decisão da UE, anunciada na quinta-feira (29) pela chefe de política externa do bloco, Kaja Kallas, classifica a IRGC no mesmo nível de grupos como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda. Kallas justificou: "A repressão não pode ficar sem resposta. Qualquer regime que mata milhares de seu próprio povo está trabalhando para sua própria desgraça". A medida inclui sanções como congelamento de bens e proibições de viagem, visando uma instituição que tem grande influência na economia e na política iraniana.
A designação é uma resposta à violenta repressão coordenada pela IRGC e sua força paramilitar Basij contra protestos nacionais que começaram em dezembro. As estimativas de mortes variam drasticamente:
A crise diplomática ocorre em um momento de alta tensão militar na região. Os Estados Unidos deslocaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln e vários destróieres para o Oriente Médio. Em resposta, o Irã realizou exercícios militares da Guarda Revolucionária no estratégico Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo comercializado globalmente. Baghaei confirmou que as manobras estavam "em andamento, conforme o cronograma estabelecido".
O líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, emitiu um aviso grave no domingo: "[Os EUA] devem saber que se iniciarem uma guerra, isso se tornará uma guerra regional". Ele acrescentou que o povo iraniano não será intimidado pelas ameaças.
Apesar da retórica inflamada, canais diplomáticos permanecem ativos. Autoridades turcas, falando anonimamente, relataram esforços para organizar um encontro em Ancara entre o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e autoridades iranianas, possivelmente ainda esta semana. O objetivo seria reiniciar negociações para reduzir a ameaça de ação militar norte-americana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que havia ameaçado o Irã, indicou abertura para conversas, afirmando: "O Irã está conversando conosco seriamente". O porta-voz Baghaei, ao ser questionado sobre negociações na Turquia, disse que o Irã está revisando "tanto os princípios quanto os detalhes relacionados a este processo diplomático".
A crise gerou repercussões até na mídia estatal iraniana. A agência de notícias estatal IRNA informou que promotores em Teerã apresentaram acusações contra o chefe, produtores e apresentador do canal estatal Ofogh. Eles são acusados por um programa que zombou das vítimas da repressão, fazendo piadas sobre onde o governo esconderia corpos. Este caso incomum sugere tensões internas sobre como lidar com a narrativa da violência.
Com informações de: Tribuna do Sertão/Associated Press, Yahoo News/Associated Press, Al Jazeera, Opera Mundi, BBC, Deutsche Welle ■