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Conselho Nacional Palestino exige retirada total de tropas israelenses de Gaza
Apelo ocorre durante assembleia parlamentar no Bahrein e denuncia agressões contínuas; crise humanitária permanece crítica apesar de frágil trégua
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 28/01/2026

O Conselho Nacional Palestino (CNP), o órgão legislativo máximo da Organização para a Liberação da Palestina (OLP), fez um apelo urgente pela retirada imediata das tropas israelenses da Faixa de Gaza. A declaração foi feita por seu presidente, Rouhi Fattouh, durante a Asamblea Parlamentaria Asiática em Manama, capital do Bahrein. Fattouh condenou as ações israelenses nos últimos dois anos, classificando-as como "um crime político e uma flagrante violação ao direito internacional".

Em seu discurso, Fattouh denunciou a grave crise humanitária resultante das agressões, exigindo o fim dos "contínuos assassinatos, destruição, assédio e ataques sistemáticos contra civis e infraestruturas". Ele atribuiu a crise diretamente à ocupação israelí e à falta de uma pressão internacional séria sobre o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

A situação humanitária em Gaza, conforme documentada por agências da ONU, permanece devastadora. Embora a trégua em vigor desde outubro de 2025 tenha permitido a entrada de mais ajuda e alguns reparos críticos, a situação está "longe de terminar". Um alto funcionário do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) descreveu os esforços atuais como um curativo temporário aplicado a um ferimento que precisa de cuidados profundos.

  • Mais de 1,3 milhão de pessoas receberam pacotes de alimentos nos dois primeiros meses da trégua.
  • Apesar disso, menos de 40% das instalações de saúde em Gaza estão operacionais.
  • Tempestades de inverno severas destruíram pertences e abrigos precários, aprofundando a crise.

Ao mesmo tempo, o acesso humanitário enfrenta obstáculos significativos. Recentemente, Israel anunciou a suspensão das licenças de operação de dezenas de organizações não-governamentais internacionais (ONGs) em Gaza, incluindo Médicos Sem Fronteiras (MSF) e o Conselho Norueguês para Refugiados. As autoridades israelenses alegam que as organizações não cumpriram novos requisitos de registro, enquanto os grupos humanitários afirmam que as regras são arbitrárias e politizadas.

O contexto político e de segurança permanece complexo e volátil. O Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução no final de 2025 endossando um plano de paz abrangente proposto pelos Estados Unidos. A fase atual do plano envolve um cessar-fogo, uma retirada parcial do exército israelense e um aumento da ajuda. Relatórios da ONU indicam que, após a retirada parcial, as Forças de Defesa de Israel (IDF) ainda controlam entre 53% e 58% do território de Gaza. A trégua é frágil, com violações intermitentes e dezenas de baixas relatadas desde o seu início.

Fattouh também se referiu à proposta norte-americana de criar um comitê de tecnocratas para administrar Gaza, uma ideia promovida pelo presidente Donald Trump. Ele a descreveu como uma "medida temporária", enfatizando que "Gaza é parte integral da terra do Estado da Palestina, portanto, qualquer acordo administrativo ou humanitário lá deve ser coerente com esta unidade". Esta declaração reafirma a posição palestina de que medidas transitórias não podem comprometer a visão de um Estado palestino unificado.

Com o Conselho de Segurança da ONU preparando um novo debate ministerial sobre a questão palestina, a pressão internacional continua. Enquanto isso, as necessidades básicas de mais de dois milhões de palestinos em Gaza são enormes, e o caminho para uma recuperação real e uma solução política duradoura parece incerto.

Com informações de: Telesur, UN News, Security Council Report, Al Jazeera, Univision ■

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