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Conselho de Paz de Trump assume controle total de Gaza excluindo autoridades palestinas
Primeira resolução do conselho confere poderes absolutos ao presidente americano sobre o território, sem prazo para entrega à administração palestina e com visão de reconstrução faraônica
Oriente-Medio
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■   Bernardo Cahue, 27/01/2026

Um documento exclusivo obtido pela imprensa revela os termos da primeira resolução do Conselho da Paz, órgão criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A resolução estabelece um controle absoluto e sem monitoramento externo sobre a Faixa de Gaza, excluindo explicitamente qualquer autoridade palestina da governança transitória do território e não fazendo qualquer previsão para a sua futura entrega a uma administração palestina.

A resolução declara que "toda a autoridade legislativa e executiva transitória, os poderes de emergência e a administração da justiça são conferidos ao Conselho de Paz". O documento detalha que o Conselho, presidido por Trump, terá poderes para:

  • Emitir resoluções e diretrizes com força de lei.
  • Estabelecer todas as estruturas de governo subsidiárias.
  • Coordenar a reconstrução, o desenvolvimento e a ajuda humanitária.
  • Supervisionar uma Força Internacional de Estabilização (FIE).
  • Administrar mecanismos financeiros e abrir contas bancárias.

Poderes Concentrados na Figura de Trump

A estrutura garante uma concentração de poder sem precedentes na figura do presidente americano. Todas as resoluções do Conselho exigem a aprovação e assinatura de Trump para entrarem em vigor, e ele tem autoridade para suspendê-las em casos urgentes. Além disso, Trump detém a autoridade exclusiva para aprovar a nação que comanda a força militar internacional em Gaza e para substituir seu comandante. Analistas e diplomatas já caracterizam o organismo como uma "Nações Unidas de Trump" que ignora os fundamentos da Carta da ONU, com ambições de atuar em crises globais além de Gaza.

Composição Exclui Palestinos e Inclui Aliados Pessoais

A resolução nomeia os membros do Conselho Executivo do órgão, uma lista que não inclui palestinos e é composta majoritariamente por aliados pessoais de Trump e figuras com fortes ligações a Israel. Entre os nomeados estão:

  • Jared Kushner, genro de Trump e antigo negociador no Oriente Médio.
  • Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
  • Ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
  • Steve Witkoff e Susan Wiles, conselheiros próximos de Trump.

Para o cargo operacional-chave de Alto Representante para Gaza, Trump indicou o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, uma figura vista com desconfiança pelos palestinos devido ao seu histórico na ONU. Caberá a ele formar um comitê tecnocrático palestino para operações diárias, mas sob sua supervisão direta.

O Plano para uma "Nova Gaza": Arranha-céus e Turismo

Paralelamente à resolução, Trump e Kushner apresentaram em Davos a visão arquitetônica para a "Nova Gaza". Os planos, ilustrados em slides, mostram dezenas de arranha-céus ao longo do Mediterrâneo, novos bairros residenciais, um porto, um aeroporto e zonas para turismo, indústria avançada e agricultura. "No fundo, sou um incorporador imobiliário e o importante é a localização", declarou Trump, referindo-se à costa de Gaza. Kushner afirmou que a reconstrução de uma "Nova Rafah" com mais de 100 mil moradias pode ser concluída em dois ou três anos.

Governança Tecnocrática e Exclusão Política

O braço palestino no terreno será o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um corpo de 15 técnicos liderado pelo engenheiro Ali Shaath. Críticos argumentam que este modelo representa uma "virada tecnocrática para a gestão do genocídio", criando a aparência de participação palestina enquanto esvazia sua agência política e adia indefinidamente uma solução soberana. O plano de Trump é notavelmente silencioso sobre o conceito de soberania palestina.

Desafios e Reações

A implementação enfrenta obstáculos imensos. O Hamas ainda controla cerca de metade do território e negocia para incorporar seus cerca de 10 mil policiais à nova estrutura de segurança, uma demanda que Israel rejeita veementemente. Enquanto isso, as condições humanitárias permanecem catastróficas, com a ONU relatando destruição massiva de infraestrutura e fome aguda.

As reações são polarizadas. O presidente israelense elogiou os esforços de Trump, mas líderes palestinos exigem um papel central. Analistas locais em Gaza acusam o Conselho de focar na "gestão de crises" em vez de abordar direitos fundamentais. A própria Israel expressou objeções, afirmando que a composição do comitê executivo "não foi coordenada com Israel e é contrária à sua política".

Com informações de: ICL Notícias, G1, BBC, Al-Shabaka, Valor Econômico, Carnegie Endowment for International Peace, XinhuaNet, Crisis Group ■

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