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O cessar-fogo de quatro dias entre o governo sírio e as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos, expirou no sábado à noite (24/01) sem um anúncio oficial de renovação. O ministro da Informação da Síria, Hamza al-Mustafa, declarou que o prazo dado às SDF para apresentar um plano de integração ao exército nacional terminou e que o governo "está agora considerando suas próximas opções". O Ministério das Relações Exteriores sírio negou publicamente qualquer acordo para estender o prazo da trégua.
Enquanto isso, ambas as partes reforçam suas posições. Tropas do governo e forças curdas estão massacradas ao redor das últimas cidades controladas pelos curdos no nordeste, como Qamishli, Hasakeh e Kobane. Fontes de segurança curdas e oficiais militares sírios confirmaram os preparativos para uma possível batalha, com relatos de veículos do exército e ônibus com combatentes se movendo em direção à frente.
Este impasse é o ponto culminante de uma ofensiva militar rápida e bem-sucedida lançada pelo governo do presidente Ahmed al-Sharaa no início de janeiro. Em apenas duas semanas, as tropas governamentais retomaram vastos territórios do norte e leste que estavam sob controle da SDF há mais de uma década. Os ganhos incluem:
A ofensiva surgiu após um impasse nas negociações de integração. Um acordo assinado em março de 2025, que previa a incorporação da SDF às instituições do Estado, não avançou, com as forças curdas relutantes em abrir mão de sua autonomia.
Em 18 de janeiro, sob mediação dos EUA, foi anunciado um acordo de cessar-fogo de 14 pontos que praticamente reverte todas as concessões anteriores obtidas pela SDF. Seus termos principais representam um duro golpe para o projeto de autonomia curda:
Analistas descrevem a situação como uma "mudança fundamental" no conflito sírio, com a SDF perdendo a maior parte de seu território e influência em poucos dias.
A mudança no cenário é em grande parte impulsionada por uma reorientação clara da política externa dos EUA. O enviado especial dos EUA, Tom Barrack, afirmou que a "finalidade original" da parceria com a SDF, como principal força anti-EI, "expirou em grande parte". Os Estados Unidos agora veem o governo de al-Sharaa como o melhor parceiro para a estabilidade e já começaram a transferir centenas de detidos do EI de prisões sírias para o Iraque.
A posição dos EUA é vista pelos curdos como uma "traição" após anos de aliança. Enquanto isso, a ONU expressa profunda preocupação. Khaled Khiari, Subsecretário-Geral para o Oriente Médio, alertou o Conselho de Segurança que a situação permanece "muito tensa" e destacou uma crise humanitária alarmante com necessidades urgentes.
O fantasma da violência sectária paira sobre a região. Oficiais americanos e franceses alertaram o governo sírio sobre os riscos de atrocidades contra civis curdos se a ofensiva for retomada. No ano passado, forças afiliadas ao governo foram acusadas de matar quase 1.500 pessoas da minoria alauita e centenas de drusos.
Outro risco imediato é a reativação do Estado Islâmico. A transferência caótica de instalações de detenção e relatos de fugas durante os combates criam uma oportunidade para o grupo terrorista se reagrupar. O governo sírio anunciou ter recapturado 81 dos 120 detidos que supostamente escaparam da prisão de al-Shadadi.
Com o fim do cessar-fogo, os possíveis caminhos à frente são perigosos:
Como resumiu um correspondente no terreno, "o futuro da Síria está sendo decidido um dia, uma hora de cada vez".
Com informações de: Al Jazeera, BBC, Wikipedia, GV Wire, United Nations, The Washington Institute for Near East Policy, Al Arabiya, The Guardian ■