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O governo do presidente russo, Vladimir Putin, estabeleceu como condição inesgotável para o cessar-fogo na Ucrânia a retirada completa das forças ucranianas e a cessão de toda a região do Donbas. A exigência, que se mantém como o principal ponto de ruptura nas negociações, foi reafirmada às vésperas e durante as conversas trilateral entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, realizadas em Abu Dhabi nos dias 23 e 24 de janeiro de 2026. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi direto: "As forças armadas ucranianas devem deixar o território do Donbas, devem ser retiradas de lá. Esta é uma condição muito importante".
A proposta russa, conforme detalhada por autoridades europeias e análises militares, vai além de consolidar os ganhos territoriais atuais. A Rússia, que já controla aproximadamente 90% da região do Donbas , exige que a Ucrânia entregue os 13% restantes que ainda mantém, um território de cerca de 9.000 quilômetros quadrados que abriga mais de 200.000 civis. Em troca, Moscou ofereceria congelar o conflito ao longo das outras linhas de frente e fornecer uma promessa escrita de não atacar novamente. Para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, contudo, a exigência é um "ultimato" inaceitável.
A obsessão russa pelo controle total do Donbas não é apenas territorial, mas estratégica, industrial e histórica. A região compreende as oblasts de Donetsk e Luhansk e é conhecida como a bacia industrial da Ucrânia. Sua importância é multifacetada:
As negociações em Abu Dhabi representam o primeiro diálogo trilateral de alto nível desde o início da invasão em grande escala em 2022 e ocorrem em um momento de intensa pressão militar e humanitária. Apesar do cenário desafiador, a posição de Kiev permanece firme:
Zelensky descreveu as conversas em Abu Dhabi como "um passo - esperamos que para acabar com a guerra - mas coisas diferentes podem acontecer", refletindo o ceticismo sobre as intenções reais de Moscou.
A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, atua como mediadora, mas seu próprio plano de paz de 28 pontos gera apreensão em Kiev e na Europa. Rascunhos do plano revelam propostas que se alinham em parte às exigências russas :
Líderes europeus, excluídos do formato das principais cúpulas, manifestaram preocupação de que um acordo entre Washington e Moscou possa ser fechado às custas da soberania ucraniana e da segurança europeia. Eles afirmaram que "o caminho para a paz na Ucrânia não pode ser decidido sem a Ucrânia".
Analistas militares alertam que aceitar a exigência russa não traria uma paz duradoura, mas sim congelaria o conflito em condições extremamente favoráveis ao Kremlin. As potenciais consequências incluem:
Enquanto a diplomacia tenta avançar em Abu Dhabi, a guerra continua no terreno. A cidade de Pokrovsk, no Donetsk, enfrenta uma situação crítica, e ataques russos contra infraestrutura energética mergulham milhões de ucranianos no frio e na escuridão no auge do inverno. O desfecho das negociações sobre o Donbas decidirá não apenas o mapa da Ucrânia, mas o equilíbrio de segurança na Europa para as próximas décadas.
Com informações de: G1, BBC, Al Jazeera, PBS NewsHour, Swissinfo, Yahoo News, CNN Brasil, Ukrainian National News (UNN), Institute for the Study of War (ISW), Estadão ■