Investigação do Caso Master mostra um extenso entrelaçamento do banco com outras instituições, incluindo gestoras de recursos, bancos adquiridos e fundos públicos, em um esquema bilionário sob investigação da Polícia Federal
Além da sua liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025, o Banco Master mantinha uma complexa rede de relações com outras organizações do setor financeiro. Esses vínculos, que vão desde aquisições formais até parcerias operacionais e aplicações de recursos públicos, estão no centro das operações Compliance Zero e Carbono Oculto, que investigam fraudes e lavagem de dinheiro.
Gestoras de Recursos e Distribuidoras
O banco tinha vínculos financeiros estreitos com ao menos duas grandes gestoras alvo das investigações:
- Trustee DTVM: Administrava fundos do Master Asset Management, braço de gestão do grupo, e compartilhava o mesmo endereço comercial com o Banco Master na Faria Lima.
- Reag Investimentos (Reag Trust DTVM / CBSF Distribuidora): Prestava serviços de administração de fundos para o Master. A PF apura que a Reag foi usada para estruturar operações que inflavam artificialmente o patrimônio do banco. O BC decretou a liquidação da CBSF, novo nome da Reag Trust, em janeiro de 2026.
- Banvox Holding e Banvox DTVM: Constituídas por ex-sócios do Master, a holding chegou a deter 22% do capital do banco. A Banvox DTVM, por sua vez, administrava fundos de investimento.
Instituições Financeiras Adquiridas
O grupo Master expandiu suas operações por meio de aquisições de outros bancos:
- Banco Voiter: Instituição de 45 anos, focada em banking corporativo, foi adquirida pelo Banco Master.
- Banco Letsbank: Banco digital voltado para pequenas e médias empresas, também comprado pelo Master.
Instituições Públicas e Fundos de Previdência
Recursos públicos de diversos estados e municípios foram aplicados no Banco Master:
- Banco Regional de Brasília (BRB): Banco público do Distrito Federal que negociou a compra de 58% do Master, operação posteriormente vetada pelo BC.
- Fundos de Previdência (RPPS): Pelo menos 18 Regimes Próprios de Previdência de estados e municípios aplicaram R$ 1,876 bilhão em letras financeiras do Master entre 2023 e 2024. Os maiores expostos são:
- Rioprevidência (RJ): R$ 970 milhões
- Estado do Amapá: R$ 400 milhões
- Maceió (AL): R$ 97 milhões
- São Roque (SP): R$ 93,15 milhões
- Cajamar (SP): R$ 87 milhões
Outras Entidades no Radar
As investigações também mencionam outras entidades em conexões indiretas:
- BK Bank: Fintech de pagamentos citada na Operação Carbono Oculto por supostamente ter fluxos financeiros com um fundo administrado pela Banvox.
- Master Asset Management: Braço oficial de gestão de recursos do grupo Banco Master, que tinha a Trustee DTVM como sua principal administradora.
O conjunto dessas ligações desenha um panorama de como o Banco Master se articulava com diversas pontas do sistema financeiro, um arranjo que, segundo as investigações, foi explorado para praticar fraudes e ocultar a origem de recursos.
Com informações de Semana On, CNN Brasil, G1, Times Brasil, Einvestidor (Estadão), Oaklins, Valor International ■