Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Marketing milionário não salva Will Bank
Luciano Huck tentou compra, mas desistiu diante dos riscos
Analise
Foto: https://revistaforum.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Luciano-Huck-Will-Bank.jpg
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 21/01/2026

Enquanto o Banco Central decreta a liquidação do Will Bank, revela-se o contraste entre a imagem de sucesso vendida por celebridades e a realidade financeira frágil da instituição. O apresentador Luciano Huck, principal garoto-propaganda do banco, chegou a negociar sua aquisição, mas recuou ao identificar o elevado passivo e os riscos do negócio, selando o destino da fintech.

A tentativa de compra que não vingou

As negociações para a venda do Will Bank ganharam força em outubro de 2025, com Luciano Huck participando das tratativas ao lado da gestora EB Capital, comandada por Eduardo Melzer. A EB Capital chegou a ser considerada a principal candidata à aquisição, aprofundou auditorias e manteve conversas intensas ao longo do mês.

No entanto, no final de novembro, a gestora desistiu do negócio. Segundo relatos do mercado, a decisão foi tomada após a conclusão de que a operação traria riscos adicionais inaceitáveis, dados o elevado passivo do Will Bank e o agravamento da situação financeira do grupo Master. Com o colapso das negociações, a última esperança de salvar o banco digital se esvaiu, levando à liquidação extrajudicial decretada em 21 de janeiro de 2026.

O exército de famosos que impulsionou a marca

Antes do fim, o Will Bank investiu pesado em uma estratégia de marketing agressiva, associando sua marca a grandes nomes do entretenimento, música e esporte para conquistar o público das classes B, C e D. Os "garotos-propaganda" do banco incluíram:

  • Luciano Huck: O principal embaixador. A parceria culminou no quadro "Willimpíadas" no Domingão com Huck, um reality show com prêmio de R$ 1 milhão que foi a maior ação de marketing do banco na TV.
  • Vinícius Júnior: Anunciado como garoto-propaganda em abril de 2025, com a campanha "Seu bank pode ser mais will", buscando associar a imagem do craque em ascensão ao crescimento do banco.
  • Belo: Estrelou campanhas em 2023 focadas nos benefícios para renegociação de dívidas.
  • João Gomes: Protagonizou uma campanha em junho de 2025 para o lançamento da plataforma de pagamentos Will Pay.
  • Gracyanne Barbosa: Estrelou comerciais em 2023 que faziam trocadilhos com seu universo fitness, sob o mote "no pain e muito gain".
  • Outras celebridades: O banco também contou, em momentos diversos, com Whindersson Nunes, Simone Mendes, Pabllo Vittar, Rebeca Andrade, Maisa Silva, Thelma Assis, Otaviano Costa, Ed Gama e Patrícia Ramos.

O custo da fama e o fim inevitável

O investimento nessa estratégia de marketing foi monumental. Somente o patrocínio do quadro "Willimpíadas" no Domingão com Huck e as ativações associadas teriam consumido mais de R$ 100 milhões. Fontes do mercado publicitário estimam que o montante total em marketing pode ter ficado entre R$ 120 milhões e R$ 160 milhões.

Esse gasto massivo, no entanto, não conseguiu mascarar os graves problemas estruturais. O Will Bank operava com um público de alto risco (classes C, D e E) e um modelo que dependia de crédito de alto risco e aportes constantes. Após ser adquirido pelo Banco Master em 2024, sua situação se agravou com o colapso do conglomerado controlador. O estopim final foi o descumprimento de pagamentos à Mastercard, que levou ao bloqueio dos cartões e tornou a operação insustentável. A tentativa de Huck e da EB Capital de comprar o banco foi a última cartada, que falhou ao revelar a real dimensão dos problemas financeiros ocultos sob o brilho das celebridades.

Com informações de: Diário do Centro do Mundo, UOL, Semanal da Bahia, Nossomeio, Investidor10, Jornal Opção, Seu Dinheiro, Terra, BOL, RedeSat ■

Mais Notícias